RZO
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Música

Quatro décadas de rap no Brasil: o hip-hop na virada do milênio

Os fatos que marcaram a história do rap no Brasil de 1999 a 2009
Escrito por Luana Dornelas
5 min de leituraPublicado em
Desde sua criação, há quatro décadas, o movimento hip-hop saiu de Nova York e se popularizou pelo mundo todo, ganhando adeptos dos mais diferentes estilos, subgêneros e origens. No Brasil, os anos 90 foram marcados pelo crescimento da cena, especialmente em São Paulo, quando dançarinos e MCs começaram a se encontrar na estação São Bento do Metrô. O movimento cresceu e revelou vários talentos vindos de todas as regiões da cidade. No fim da década, nomes como Ndee Naldinho, Thaíde, Dj Hum e Racionais MCs já haviam feito história com suas músicas.
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Em abril, a Red Bull celebra a história do rap nacional durante o Red Bull Music Pulso, ocupação musical que reúne no Red Bull Station artistas independentes do Brasil inteiro. Depois de fazer um mergulho nas origens do gênero, relembramos aqui alguns fatos que marcaram o hip-hop na transição da virada do milênio.
1999 - 2009
Depois de lançar o aclamado “Sobrevivendo no Inferno”, os Racionais MC's fizeram o rap ganhar notoriedade pelo país inteiro, chegando a um patamar nunca antes conquistado por um artista do gênero. Em 1998, venceram o prêmio VMB, da MTV, na categoria Escolha da Audiência.
Com a ascensão do gangsta rap, nomes como Facção Central, RZO, Dexter, A286, Hórus, Dú Alto, Realidade Cruel se consagraram na cena. Em 1999, um dos principais artistas do gênero, MV Bill, faz uma polêmica apresentação no Free Jazz Festival com uma arma na cintura, chocando o público.
1999 também foi o ano em que nasceu a Academia Brasileira de Rimas, um dos grupos pioneiros do rap alternativo, formado inicialmente por Akin, Kamau, Max B.O. e Paulo Napoli. Esta época também foi marcada por grandes festivais de rap que reuniam os grupos e rappers em ascensão, como o Du Loco, que reuniu estrelas do rap internacional como Afrika Bambataa, Common Sense, De La Soul e Jungle Brothers.
No início dos anos 2000, o RZO explodiu na MTV com o clipe de "O Rap do Trem". "Essa época foi marcada pela qualidade dos videoclipes que começaram a ser produzidos. Os artistas começaram a criar vídeos cinematográficos, fazendo trabalhos que revolucionaram o audiovisual", relembra Sandrão RZO.
O rapper Xis também ganha notoriedade na cena com disco “Seja Como For”, lançado pela 4P, seu selo ao lado de KL Jay. Com ele, ganhou o VMB com o melhor clipe de rap com "Us mano e As Mina". Neste ano, a dupla de presidiários do Carandiru Afro-X e Dexter lança o primeiro trabalho do 509-E, “Provérbios 13”.
O ano de 2001 é marcado por mais um grande lançamento: “Rap é Compromisso”, o primeiro disco solo de Sabotage, que se torna um dos mais importantes da história do rap nacional. "Lembro até hoje, quando o Sabotage me entregou uma fita k7 depois de um show que fizemos. Quando surgiu uma oportunidade, fui atrás dele e convidei para subir no palco com o RZO. Ele foi um artista muito importante para história do rap, um mestre da música. Da Zona Sul, pro mundo", conta Sandrão RZO.
No rap feminino, Negra Li se destaca com seu trabalho dentro do RZO e Nega Gizza faz sucesso com disco “Na humilde”.
Além das rádios, o rap também começa a conquistar outras mídias. Nas telonas, Sabotage participa do filme "Carandiru", de Héctor Babenco, e emplaca a trilha sonora do filme ‘O Invasor’, de Beto Brant. Na televisão, a série Antônia, da Rede Globo, protagonizada por Negra Li, Leilah Moreno, Quelynah e Cindy Mendes, conta a história de quatro amigas que formavam um grupo de rap.
2003 também é marcado pela triste morte de Sabotage, assassinado na zona sul de São Paulo. Essa época inicia um processo de decadência no rap brasileiro, mas continua com alguns bons lançamentos, como o “A Procura da Batida Perfeita”, de Marcelo D2, consagrando sua carreira.
Mamelo Sound System, "Urbália", BNegão e os Seletores de Frequência, "Enxugando Gelo", Clã Nordestino, "A peste negra", DMN, "Essa é a Cena", Facção Central, "Direto do Campo de Extermínio", Slim Rimografia, "Financeiramente Pobre" são alguns dos lançamentos que marcaram este período. Em 2008, o primeiro disco solo de Kamau, "Non Ducor Duco", chama atenção, e em 2009, o novo nome se destaca: Emicida. Consagrado como “melhor MC de freestyle do país", ele chega com a mixtape "Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…", trazendo fôlego para a cena.
Devida às novas tendências do mercado musical com a criação e utilização de novos formatos poucos discos são colocados na rua. Em compensação, ótimos videoclipes são lançados, como "Qui nem Judeu", de DBS, "Multicultural", do Pentágono, "Triunfo", de Emicida e "Sol", de Slim Rimografia.
Todos esses artistas apoiaram os acontecimentos na periferia e ampliaram vozes que até hoje muita gente evita escutar. O resto, é história.