A espera foi de 1 ano e 9 meses. Desde que disputou a etapa do Red Bull Cliff Diving em Bilbao, na Espanha, em setembro de 2019, Jaki Valente não competiu mais. Em março do ano passado, a gaúcha passou por uma cirurgia no ombro direito pra colocar dois pinos. Depois, teve uma vitória importante, mas contra a Covid-19. Recuperada, contava os dias para voltar a saltar.
E aconteceu, finalmente, com a volta do circuito. Cancelado em 2020 por causa da pandemia, o Red Bull Cliff Diving voltou, com transmissão ao vivo pela Red Bull TV. Aos 35 anos, a Jaki voltou a ser saltadora permanente nesta temporada e reestreou em Saint-Raphael, na França, onde cumpriu quarentena obrigatória antes da abertura da temporada, que terá seis paradas.
+ Assista abaixo, na íntegra à abertura da temporada do Red Bull Cliff Diving.
Final – França
Após a pausa mais longa da história da competição, o Red Bull Cliff Diving volta à França. Veja quem será o vencedor nas provas masculina e feminina.
“Foi uma experiência bem diferente e única, o governo francês deixa a pessoa que está em quarentena sair durante duas horas por dia, sempre das 10 manhã ao meio-dia, e num raio de no máximo 1 quilômetro de distância do hotel. Saí bastante pra correr, fui à praia, fiz exercícios e passei mais tempo nas redes sociais me divertindo com os meus seguidores”, conta (aliás, siga a Jaki no Instagram).
Após a quarentena, Jaki Valente, agora atleta do Fluminense, está pronta pra brilhar na temporada e enfrentar as melhores do mundo nos saltos de plataformas de 21 metros, entre elas a australiana Rhiannan Iffland, bicampeã mundial e tetracampeã do Red Bull Cliff Diving (2016-2019). E vai brilhar mesmo tendo medo de altura. É isso aí, mas com um detalhe: Jaki só tem medo quando não está com seu uniforme de salto. Quando veste o maiô, não existe medo nenhum.
“Eu não estou pensando nas outras, estou pensando em mim e no lado positivo. Já estou com o fuso horário ajustado, eu treinei e continuo me mexendo da maneira que posso. Obviamente não é igual, mas é a minha realidade.”
A carreira e a aposta que mudou tudo
Jaki começou a carreira como ginasta, quando tinha 7 anos. Chegou a brigar por vaga nos Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney, mas uma grave lesão no cotovelo, dois anos antes do evento, enterrou o sonho de competir na Austrália. “O baque foi muito forte. Depois eu comecei a fazer educação física e dar aula de ginástica. Nesse tempo, rolou um convite pra trabalhar fora do Brasil fazendo shows de ginástica. Foi assim que eu ingressei no circo”, conta.
Jaki Valente em ação na final do Red Bull Cliff Diving em Bilbao, Espanha
© Romina Amato / Red Bull Content Pool
Após alguns anos fazendo apresentações com o circo pela Europa, a companhia resolveu fazer a mudança do show de ginástica artística para saltos em altura. Para continuar trabalhando, Jaki teve que aprender o básico de saltos ornamentais, e isso aconteceu após dois meses de treinamento pesado na Ucrânia. Ainda assim, o salto em altura não teve um papel importante em sua vida até 2012, quando tinha 22 anos e perdeu uma aposta quando estava em Macau.
"Eu não lembro o que foi aposta, mas eu sei que se eu perdesse teria que fazer um salto de 18 metros antes do meu contrato acabar, e faltavam três meses. Ali fiz meu primeiro salto e acabei encantada, me apaixonei e passei a aproveitar todos os momentos que tinha oportunidade para fazer os treinamentos de saltos [na água]", diz.
A estreia no Red Bull Cliff Diving
Em 2013, Jaki recebeu um convite pra participar do Red Bull Cliff Diving, que no ano seguinte teria sua primeira temporada com a competição feminina. Assim estava lá, como atleta permanente. "Eu fiquei entusiasmada. Eu não sabia da existência desse esporte, foi uma coisa que eu aprendi no trabalho e por causa de uma aposta. Foi inesperado fazer parte da elite dos saltadores em altura."
Foi em 2017 que Jaki conseguiu seu melhor resultado no evento. Como convidada em Polignano a Mare, na Itália, executou quatro saltos, chegando a liderar a competição, mas terminou em segundo lugar, atrás apenas da Rhiannan Iffland. Neste ano? Bem, ela e toda a torcida esperam ver novos pódios e, por que não, uma vitória 🏆.
DATA
LOCAL
PAÍS
12/6
Saint-Raphael
França
14/8
Oslo
Noruega
28/8
Mostar
Bósnia
12/9
Downpatrick Head
Irlanda
26/9
Polignano a Mare
Itália
16/10
Baku
Azerbaijão
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