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Ron Howard on the making of Rush
We spoke to Ron Howard to find out about his new F1 film Rush.
Um dos filmes mais esperados pelos aficionados por automobilismo é o "Rush". Uma espécie de "Grand Prix" dos últimos tempos - em tempo: "Grand Prix" é um dos grandes filmes dos anos 60, que usou a F-1 como cenário -, a película que será lançada oficialmente no Brasil em setembro usa a temporada de 1976 como enredo.
Enredo que mostra o duelo entre dois dos mais autênticos pilotos da história: James Hunt e Niki Lauda. Enquanto Hunt, um playboy de primeira, aproveitava sua chance de ouro na McLaren (após Emerson Fittipaldi focar-se no Copersucar Fittipaldi), Lauda viveu um drama após sofrer um grave acidente no GP da Alemanha que desfigurou parte de seu rosto.
O filme conta o desenrolar da temporada que elevou Hunt ao grupo dos campeões, e deu a Lauda um novo "insight" do pesadelo vivido há exatos 37 anos em Nurburgring, que era bem diferente da pista usada pela F-1 atualmente: possuia nada menos que 22 km e muitas dificuldades de acesso.
Confira uma entrevista com Niki Lauda abaixo e um preview exclusivo no topo desta materia.
RedBull.com: Como você descreve o filme pela sua perspectiva?
Niki Lauda: Fui procurado por Peter Morgan, que escreveu o script. Ele disse: "Quero escrever um filme sobre a temporada de 1976 e gostaria da sua ajuda". Disse prontamente que sim. Ron Howard não tinha ideia alguma sobre corrida, então ele me fez cinco milhões de perguntas. Ele começou a piscar e, de repente, se tornou um fã de Fórmula 1. O convidei para ir a Silverstone dois anos atrás e o filme inteiro aconteceu depois disso.
RB: Como foi retratar o drama vivido em 1976?
NL: Te dou um exemplo. Após o acidente, quando apareci novamente em público na corrida de Monza, todos fizeram caretas quando olharam minha orelha. Eu dizia: "Olhe nos meus olhos se for falar comigo, não para minhas queimaduras". Seja educado. Nunca entendi a reação das pessoas - sempre imaginei por quê elas eram tão estúpidas. Construí um muro em torno de mim e parei de me preocupar com isso.
Mas quando eu vi o filme, quando Daniel Brühl [que faz Lauda] voltar em Monza, também fiquei chocado. Agora eu entendo o outro ponto de vista. Estava muito ocupado tentando retomar minha vida e nunca me vi como as outras pessoas viram.
Existem algumas outras cenas no filme onde eu agora entendo o comportamento das pessoas. O filme inteiro foi feito muito bem, pois é o que realmente aconteceu. Foi uma luta entre James, o playboy, e eu, o cara sério.
RB: Obviamente, havia uma batalha de opostos mas uma rivalidade saudável, certo?
NL: O conhecia dos tempos de Fórmula 3 e nós sempre tivemos um tipo de… não diria amizade; amizade é errado, pois pilotos de F-1 não têm amizade. Eles são inimigos e querem brigar, mas James era um dos caras mais simpáticos. Saía com ele e bebia e tal. Mas mesmo quando estávamos na pista, não nos importávamos muito um com o outro. Ele era um bom cara naqueles dias.
RB: Já existiram diversas rivalidades intensas na F-1 pelos anos. Na sua opinião, o que faz da sua disputa com James uma das mais comentadas?
NL: Talvez o acidente. Acho que é a peça chave, pois aconteceram diversas batalhas e no fim sempre tinha um vencedor. Mas eu perdi três corridas e quase morri. Então eu levei o campeonato até o fim mas perdi por não ter corrido.
RB: Voltando ao tempo onde as coisas eram incrivelmente perigosas. O que você pensa quando vê os carros de hoje?
NL: Hoje não é nada. Pobre Ayrton Senna, que foi o último piloto morto, 19 anos atrás. As coisas melhoraram. Você não pose comparar isso, pois tínhamos que nos perguntar: valia a pena arriscar nossas visas? Dizia que sim, pois queria pilotar e ganhar. Meu ego e minha coragem naquele tempo me faziam seguir em frente.
RB: Ver o filme te faz voltar ao volante de um carro?
NL: De jeito nenhum, é chato e já fiz de tudo. Já ganhei tudo, quase me matei, então não há mais nada para tirar disso.