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Skate

Skate: guia para iniciantes

Aqui tem tudo o que você precisa saber sobre os carrinhos
Escrito por Niall Neeson, com adaptação de Grazi Oliveira
7 min de leituraPublished on
Skate é sinônimo de cultura urbana. Mas nem sempre foi assim. O esporte, que pra muita gente é estilo de vida, já foi marginalizado e até banido em alguns países. Nascido na Califórnia nos anos 60, foi um acesso rápido e divertido que os praticantes do surfe acharam pra continuar manobrando fora d'água. O número de praticantes não parou de crescer, os carrinhos se espalharam pelo mundo e uma indústria milionária surgiu. O futuro do esporte e da cultura em torno dele é ainda promissor com a chegada ao maior evento esportivo do mundo. Agora que tal saber mais a fundo sobre o skate, hein?

A origem

Os primeiros relatos a respeito do skate vêm de patinadores que nos anos 1920 usavam os eixos e rodas fixando numa tábua de madeira. Essa invenção foi aderida cerca de 30 anos depois, na Califórnia, quando surfistas ficaram sem ondas no litoral. Era chamado sidewalk surfing no início, ou seja, surfe de calçada, simulando ondas em dias de mar flat. O mercado adotou a ideia e industrializou o carrinho e criou novas tecnologias. A roda de uretano foi uma revolução, já que ofereceu mais aderência e, assim, possibilitou maior velocidade.
Nos anos 70, a Califórnia passou por uma de suas mais duras secas. Com isso, piscinas e ditches (valas) foram drenadas, proporcionando a invasão dos skatistas locais nos quintais das casas. Os famosos Z Boys, grupo de riders de Santa Monica e Venice, foram precursores da modalidade que hoje é conhecida como vertical.
Nos anos 90, a profissionalização passou a pegar forte o skate. Os avanços tecnológicos de equipamentos, construção de skateparks, grandes competições, surgimento de marcas e skatistas se tornando ídolos, tudo aumentou o fascínio pelo estilo de vida da cena. Ali o skate plantava as sementes que o levariam, nos anos 2020, ao maior evento esportivo do mundo com 80 atletas brigando por medalhas nas modalidades street e park.
Sandro Dias e seu 540 nos X Games Munich

Sandro Dias no meio de um 540 nos X Games Foz

© Luis Vidales/Red Bull Content Pool

Como funciona o skate?

Por mais que o skate pareça único, existem várias modalidades nesse universo. As três mais praticadas são street, bowl e park. E aqui estão as diferenças de cada uma delas.
Street
A modalidade mais praticada no mundo. Como o nome indica, trata-se de usar elementos encontrados na rua como rampas, corrimões, escadarias, meios-fios, bancos etc. Não precisa necessariamente ser praticado nas calçadas. Para treinos ou competições são usadas pistas com obstáculos específicos para a sessão.
Mundial de Street Skate 2021: Leticia Bufoni

Mundial de Street Skate 2021: Leticia Bufoni

© Luis Gallo / Red Bull Content Pool

Bowl
Existem algumas variações no vertical, a mais praticada delas é o Bowl. Remete às origens do skate, quando era praticado em piscinas vazias (lembra da seca na Califórnia nos anos 70?). Aqui, skatistas andam em estruturas no formato de tigelas (bowl, em inglês), e o que conta é a velocidade e manobras feitas na borda ou no ar.

Park

A modalidades mais recente do skate mescla a complexidade do bowl com transições acima de 3 metros, banks e alguns elementos de street. Esses obstáculos interagem entre si, ou seja, o skatista consegue completar uma manobra e entrar em outra transição para emendar outras.
Critérios de julgamento
Cada skatista compete individualmente e pode usar todos os elementos do espaço, algo que inclusive conta pontos. A avaliação leva em consideração o equilíbrio entre criatividade e consistência, evitando ao máximo erros durante a volta. O rider tem 60s de apresentação para mostrar tricks de nível técnico e execução perfeita. Vale lembrar que ter velocidade e estilo durante a apresentação é um critério valioso para os juízes.

O que precisa para começar?

O skatista tem a opção de comprar um board montado com todas as peças prontas, ou personalizar, comprando cada item baseado na preferência de tamanho, cor e marca. Inicialmente, é preciso uma tábua de madeira, mais conhecida como shape. Em sua superfície vai uma lixa, proporcionando aderência e estabilidade aos pés. Sua base está no par de trucks, fixados com parafusos. As rodinhas são acompanhadas de rolamentos.

Manobras

Ollie
Manobra inicial do skate, serve como base para todas as outras. Consiste na sincronia ao bater no tail (um das rabetas da tábua) e saltar para frente mantendo o pé dianteiro colado ao shape, dando um chute na madeira. Executar um ollie mais alto demanda bastante treino. Na prática, só a repetição constante e a persistência levarão a perfeição da manobra.
Shove It
Movimento de um giro de 180° pra frente do skatista, e apenas o skate gira. Basta bater o tail no chão, pular pra frente, e voltar os pés na base em total sintonia.
Flip
Manobra criada pela lenda do street Rodney Mullen, em que o movimento do flip é o de uma volta em torno do próprio eixo. Basicamente precisa bater o ollie e chutar o pé da frente em diagonal para que o skate gire.
Heelflip
Movimento semelhante ao flip com um giro completo para frente do skatista. Basta posicionar um pé no tail e outro logo atrás dos parafusos do nose. O desafio está no chute do pé frontal usando o calcanhar para fazer a rotação.
Grinds / slides
Manobras de grind utilizam o truck da frente, traseira ou os dois ao mesmo tempo deslizando em corrimão, borda ou banco. O que muda no slide é o shape, que escorrega nas mesmas superfícies dos obstáculos usando nose e tail da madeira.
Nollie
Ao contrário do que parece, o nollie não é uma manobra tão fácil quanto o ollie. Existe uma semelhança, porém o exige uma troca de pés. Aqui se usa o pé da frente para bater o nose do skate ao invés do pé de trás.
Grabs
Nada mais é do que dar uma "pegada" no skate. Existem variações de grabs, mas ela se resume em segurar o shape durante a execução da trick.
Switchstance
É uma variação de base, onde o pé utilizado para chutar as manobras, passa a batê-las com o pé no tail. Sendo assim, se o skatista costuma usar o pé esquerdo no tail, vai passar a utilizar o pé direito e assim vice-versa. Abreviação ss ou s/s. Executa-se qualquer manobra sobre essa base.

Atletas pra acompanhar

  • Leticia Bufoni - Maior nome do street feminino da história. A brasileira é recordista de medalhas no X Games, tem em seu legado títulos do Circuito Mundial, vitória na Street League e virou personagem no jogo Tony Hawk's Pro Skater 1 + 2.
  • Alex Sorgente - É dono de uma consistência e um arsenal de manobras na transição. O americano coleciona medalhas dos maiores eventos de skate no mundo e é um dos skatistas que dita a cultura das competições de park.
  • Brighton Zeuner - Com apenas 16 anos, é bicampeã mundial de park. Esbanja estilo, manobras de nível e se destaca nas pistas. Brighton ergue a bandeira de uma geração que veio quebrar estereótipos e busca mais espaço pras mulheres.
  • Sakura Yosozumi - Evolução é o sinônimo da japonesa. Ela começou influenciada pelo irmão mais velho e, em pouco tempo, ganhou destaque na cena. Tem apenas 19 anos, e ainda vai brilhar demais no skatepark.
  • Zion Wright - É um skatista overall. Além de ter muito skate no pé, o norte-americano é o rei do estilo, criatividade e muita velocidade nas pistas. Brilha muito na categoria park e caminha pra se tornar uma das lendas dos carrinhos.
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Parte desta história

Leticia Bufoni

Uma skatista como nunca houve igual

BrasilBrasil

Zion Wright

Hailing from Florida, USA, Zion Wright is a genuine all-terrain skater and one of the biggest names in the skateboarding game today.

Estados UnidosEstados Unidos

Alex Sorgente

Ele dita a cultura das competições de park

ItáliaItália

Margielyn Didal

Ouro nos Jogos Asiáticos de 2018

PhilippinesPhilippines