Foi 1996 que o nome de Carlos de Andrade, o Piolho, ecoou pelo planeta ao sagrar-se campeão de street de um dos campeonatos mundiais mais respeitados do mundo, o Slam City Jam, no Canadá.
Mas a história dele começou anos antes. Piolho, nascido em 1978, aprendeu a andar de skate nas curvas da tradicional pista do Ambiental, em Curitiba, onde nasceu e cresceu. Quieto e reservado, Carlos de Andrade sempre fez seu skate gritar por ele, com manobras velozes, precisas e recheadas de personalidade.
Skatista overall, consegue transitar pelos mais rústicos picos de rua até as mais difíceis piscinas californianas, sempre com habilidade e estilo de sobra. A vitória de 1996 no Canadá foi o primeiro título como profissional e o primeiro brasileiro a vencer o Mundial de street. “Quebrou a porta! Não tinha mais nada que segurasse os brasileiros", afirma Marcio Tarobinha, skatista profissional, sobre a conquista do Carlos.
"Foi inesquecível! Só manobrando, acertando, marretando, e não teve ideia. Foi muito marcante aquilo. Piolho sempre monstro. Respeito e admiração total. Skatista de primeira forever", diz Gian Naccarato, skatista profissional e testemunha ocular do feito do curitibano.
Piolho abriu as portas. Estavam lá todos os gringos que a gente assistia nos vídeos de skate
"Já corria os campeonatos aqui no Brasil desde 1994 e nunca tinha ficado em primeiro lugar. Fazia finais, mas nunca vencia. Daí fui lá no Canadá e aconteceu. Esse evento foi muito especial. Com certeza marca até hoje a minha vida", lembra Piolho.
Em 1997, ele partiu para uma temporada na Califórnia para andar nas melhores pistas de skate e aproveitar para participar dos eventos. "Nos primeiros meses, morei com amigos brasileiros que também estavam tentando o sonho americano. Foi uma época bem sofrida. Morávamos em seis pessoas em um apartamento de um quarto. Não falava quase nada de inglês", lembra Carlos.
Entre idas e vindas dos EUA, em 1999 sua situação começou a melhorar quando conheceu o skatista americano Chet Thomas. "Ele me colocou na sua marca de rodas na época, a Darkstar, e também acabou me agilizando pra ser skatista da World Industries e da Volcom. Aí as coisas realmente começaram a fluir", diz.
Em 2000, foi o ano de cravar de vez o nome na história do skate, sendo o primeiro brasileiro a ser campeão do Circuito Mundial. "Eu já estava sólido nos EUA, com visto de trabalho, ganhado salários e viajando para todos os principais eventos. Fui fazendo finais em todos e acabei conseguindo levar o circuito. Eu não esperava tudo aquilo. Me senti muito orgulhoso por ter ganho porque pro brasileiro sempre foi mais difícil, principalmente naqueles tempos", conta.
A motivação continua pelo prazer de andar de skate. E não pela pressão de ter que provar algo.
Além das competições, durante seus oito anos morando na Califa, Carlos produziu muitas imagens para importantes vídeos de skate, como os da 411 VM e Digital Skateboarding.
Atualmente, Piolho segue andando na pista de skate do Jardim Ambiental e em outros picos da capital paranaense. "Meu sonho ou meta é poder andar de skate enquanto estiver vivo e um dia ter um lugar ou uma pista que pra chamar de meu", conta. "Meus planos para o futuro são de continuar fazendo o que eu amo e de repente trabalhar com skate no Brasil, fazer o skate aqui ser cada vez mais valorizado", conclui.
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