Sandro Dias na ponte da Estaiadinha em São Paulo© Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool
Skate
Sandro Dias: o que aprendi nas maiores rampas do mundo
O desafio de enfrentar os próprios limites em cima de uma tábua de madeira
Escrito por Grazi Oliveira
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Sandro Dias

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Voar alto, ter coragem e disciplina são os pontos básicos no currículo do Sandro Dias. Não é à toa que o Mineirinho, que já está na quarta década da carreira, continua sendo referência na cena em todo o mundo. Sempre com o skate no pé, ele não camufla as adversidades e conta aqui lições que aprendeu encarando rampas em que muita gente sequer chegaria perto.
O hexacampeão mundial realizou manobras em um cartão-postal paulista em pleno horário de pico
Sandro Dias realizando feito histórico em São Paulo

O processo leva tempo

Ter confiança em rampas grandes não é de um dia pro outro. Existe um processo para encarar o half pipe. Eu comecei em Santo André, nos anos 80 com uma parede de 2m80, uma altura monstruosa pra época. Caí logo de cara. Depois, aprendi a dropar sentado no coping. Todo mundo falava: “Você aprendeu da forma mais difícil”. Por isso, sempre digo que o maior desafio para quem está iniciando é saber andar de skate entendendo os limites e conhecendo a pista que está andando. É complicado chegar em um lugar e se jogar. Venci o medo aos poucos embalando no flat e pegando base no flow da transição.

Não amarelar

Mesmo voando na megarrampa diversas vezes, sempre dá um frio na barriga. Você cria coragem começando pelo quarter e depois encara o drop. Quando está no topo, não adianta pensar muito. Tem que ir com fé e não amarelar. Vi muita gente chegar na hora H e ter um bloqueio. Com o tempo, você percebe que aquilo é mais impressionante do que difícil. Por isso, não pode deixar os pensamentos do medo dominarem sua mente.

Superar desafios

Por volta de 2004, tive a chance de ir para China na inauguração da SMP, pista que já foi considerada a maior do mundo. Me deparei com um half totalmente insano. Sofremos bullying para saber quem iria encarar aquele gigante. Passou alguns anos, retornei nesse pico e tive uma outra impressão da rampa. Continuava sendo um desafio pelo grau de dificuldade e altura, mas pegando o jeito acabei me divertindo muito. Tudo é uma questão de exercitar a superação'.
Sandro Dias
Sandro Dias

Tamanho não é documento

Hoje em dia, quanto menor a rampa, mais difícil, rápido e limitado pra manobrar. Um exemplo disso é o 900, manobra que exige gás, espaço e técnica. Acertei mais de 60 vezes e na maioria das vezes achava mais tranquilo executar nas pistas menores. Essa habilidade deve ter vindo do esforço que minha geração teve de se virar com as restrições do skate na época'.

Foco no skate

Ser um skatista consciente faz a diferença. Há 20 anos não existia preparador físico pro nosso esporte. Simplesmente andava de skate com foco na evolução. Não ia na nutricionista, mas me alimentava corretamente. Aproveitava todos os momentos, porém sempre lembrava que no dia seguinte tinha sessão e precisava estar bem por inteiro. Criei uma disciplina para viver do skate e isso me afastou das coisas ruins do mundo'.

+ Veja abaixo o dia em que Sandro Dias fez uma sessão no alto da Estaiadinha, uma das pontes mais conhecidas de São Paulo.

Skate · 3 min
A façanha da Estaiadinha, com Sandro Dias
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