A semana passada foi marcada pela volta do circuito nacional de surf profissional. O famoso circuito Super Surf, dos anos 2000, voltou a praia de Maresias para a primeira de suas quatro etapas de 2015.
Flávio Nakagima, surfista de Praia Grande, venceu a grande final contra Charlie Brown. Mas a vitória mais importante, neste caso, é a do cenário do surf nacional que pode ganhar um ‘novo respiro’ neste próximo ano.
Foram 160 surfistas na disputa. E o que chamou a atenção foi a verdadeira falência do mercado do surf no Brasil. A maioria dos atletas sem patrocínios principal. Nomes de peso como o dos atletas que foram da elite mundial, Victor Ribas, Heitor Alves, Danilo Costa, Jihad Kord, Léo Neves estavam esquecidos, sem competições para participar no país.
“Eu acho super legal o circuita estar de volta. Abre portas para muitos outros surfistas e para o mercado de surf brasileiro. As marcas vão poder mostrar sua identidade, os surfistas também. Com grandes chances de voltar a gerar mais talentos no país. Hoje a gente tem um campeão mundial, outros cinco ou seis atletas ganhando muito bem e todo o resto pedindo dinheiro a mamãe, abrindo uma quitanda da praia, cada um dando o seu jeito. Então o circuito chegou na hora certa, temos que trabalhar direitinho para que tudo dê certo”, disse Victor Ribas, o brasileiro que ficou anos sendo o melhor colocado no ranking mundial da história com um 3º lugar.
Hoje a gente tem um campeão mundial, outros cinco ou seis atletas ganhando muito bem e todo o resto pedindo dinheiro a mamãe, abrindo uma quitanda da praia, cada um dando o seu jeito.
Victor Ribas
O clima era mesmo de celebração pela volta do circuito nacional, que já foi um dos maiores do mundo. Com ele a esperança de que a realidade mude para atletas que não tem a oportunidade de correr o circuito internacional classificatório (WQS), mas que tem muito surf a mostrar em águas brasileiras. Por enquanto, muitos atletas correm atrás de recursos de formas alternativas. Muitos abriram escolas de surf para complementar alguma renda, como é o caso do próprio Victor Ribas, Leo Neves e Danilo Costa.
“Você vê que atletas que estavam parados voltaram a praia para competir. Triste ver que muitos sem patrocínio, inclusive eu. Mas isso pode ser que mude a partir de agora.”, contou Danilo Costa, que também teve que buscar outras saídas para complementar sua renda. “Estou representando algumas marcas de surf lá em Natal, onde estou morando agora, e estou com uma escolinha de SUP e surf.”
A próxima etapa do circuito acontece em Ubatuba, litoral norte paulista, entre os dias 12 e 16 de agosto. Em seguida o campeonato segue para a praia da Jaquina em Florianópolis e Saquerema, no Rio de Janeiro.


