Surf

Pepê Lopes: atleta visionário e uma lenda do surfe

© PierdeIpanema.com
Primeiro brasileiro a vencer etapa do Mundial era também gigante na asa delta
Escrito por Maíra PabstPublicado em
Pedro Paulo de Guise Carneiro Lopes, conhecido como Pepê Lopes, é um dos surfistas brasileiros mais celebrados da história. Radical, ousado e destemido são adjetivos usualmente aplicados quando se fala do carioca. No Havaí, na década de 70, deixou a galera local de queixo caído com as manobras que fazia e o tamanho das ondas que pegava. Há quem diga - e como discordar? - que Pepê foi um dos primeiros surfistas de ondas grandes que o Brasil teve.
Em 1976, o carioca foi o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do Circuito Mundial, quando a competição ainda tinha pouco mais de uma década. Levou a melhor justamente na etapa brasileira, o Waimea 5000, que rolava no Arpoador, no Rio. Competidor nato, sua vida esportiva passou por diferentes modalidades. Na verdade, Pepê começou em cima dos cavalos. Praticava hipismo no Country Club carioca. Chegou a ganhar campeonatos estaduais, mas desistiu da carreira quando sua égua sofreu um acidente.
Já no surfe, Pepê foi exemplar. Seu estilo único e ousado inspirava adversários. Além das habilidades dentro d’água, ele era um cara visionário. Já naquela época, sabia que para viajar o mundo correndo ondas era preciso dinheiro, claro, e por isso negociava patrocínios de uma maneira mais agressiva que os seus colegas.
O tino para os negócios permearam toda a breve vida de Pepê. Desde os 8 anos, ele já era comerciante, produzia e vendia sabonete líquido para a vizinhança em Ipanema. Depois, passou a consertar pranchas e, aos 13, já viajava com a própria grana. Aos 17, Pepê era um cara independente, saiu da casa dos pais na zona sul e foi morar na Barra da Tijuca.
Em São Conrado, Pepê fundou a Barraca do Pepê, onde vendia sanduíches naturais e sucos. O empreendimento ganhou força e várias filiais pelo Rio.
Pepê Lopes com a prancha azul na mão
Pepê Lopes com a prancha azul na mão
Ainda no fim da década de 70, desestimulado com o tamanho das ondas no Brasil, Pepê descobriu o voo livre. A asa delta voltou a dar a ele a adrenalina que tanto gostava. Ficou fissurado no esporte que vivia uma explosão no País. Sendo o obstinado que era, colocou toda a energia para se tornar o melhor. E assim rolou: em 1981, aos 24 anos, tornou-se no Japão campeão mundial de asa delta.
Dez anos mais tarde, porém, Pepê decolou de novo no Mundial para seu último voo. Brigando pelo bicampeonato sofreu um acidente que nunca se soube a razão. Tentando voar sempre mais longe, morreu aos 33 anos e, ainda assim, acabou com o vice-campeonato. Hoje seu apelido batiza o trecho de praia que vai até onde fica sua barraca de sanduíches. Porque lendas jamais morrerão.
+ Se o Brasil não tem as melhores ondas do mundo, como é que os brasileiros estão dominando o surfe? Assita abaixo e entenda.
Música · 1 min
Placeholder Video_DO NOT UNPUBLISH
Baixe o app da Red Bull TV e tenha acesso a todos os nossos vídeos! Disponível na App Store e na Play Store.