Tita Tavares
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Surfe

Tita Tavares é a pequena gigante do surfe brasileiro

Do surfe com madeirite ao tetracampeonato brasileiro e bi do WQS
Escrito por Maíra Pabst
3 min de leituraPublished on
Maria das Graças Tavares Brito Filha, conhecida para o surfe como Tita Tavares, foi uma das melhores que o país já teve sobre as ondas. Tetracampeã brasileira, Tita chegou a ocupar a quarta posição no ranking mundial. Mas o sucesso na carreira de atleta foi marcado na mesma proporção por dificuldades na vida pessoal.
De origem pobre, Tita é filha de pai pescador. A mãe morreu quando ela tinha 4 anos. Nascida em 1975, foi a única dos cinco irmãos a testemunhar a morte. Muito abalada, ela encontrou no surfe a válvula de escape.
Aos 5 anos, ela fugia para o mar, em Fortaleza, durante o recreio da escola. Com um pedaço de madeirite encontrado no lixo e com a "parafina" feita de vela surrupiada de despachos, Tita surfava no Titanzinho. A comunidade onde nasceu e cresceu fica ao norte de cidade, berço do surfe nordestino. A onda curta e tubular formou vários atletas brasileiros de peso, como Pablo Paulino, Fábio Silva e André Silva.
Mas o maior atleta que saiu do Titanzinho foi Tita mesmo. Com apenas um metro e meio de altura, mas com surfe de gigante, ela ganhou o mundo. Aos 10 anos, saiu de casa sozinha de ônibus para competir no Mundial amador na Barra da Tijuca, no Rio. Aos 13, pode já comprou sua própria casa com a premiação que ganhou em campeonatos - e onde mora até hoje. "Sempre quis sair de casa. Meu pai era alcoólatra, batia na gente", disse Tita à revista "Trip".
Mais tarde, em 1996, foi a primeira mulher a arrancar um 10 unânime dos juízes do WQS, a divisão que dá acesso à elite do surfe mundial, da qual é bicampeã. No Brasil, além do Brasileiro por quatro vezes, venceu também o Supersurf em 2000, 2003, 2007 e 2008.
Mas nem todas as glórias na carreira foram suficientes para mudar a realidade de Tita. Quando estava no auge e tinha patrocínio, chegou a ganhar R$ 10 mil por mês. “Ajudei minha família, paguei inscrição e viagem de muito surfista daqui. Mas uma hora a grana acaba”, disse a surfista à "Trip".
Longe de ser o estereótipo de surfista que a indústria sempre explorou, Tita é negra, baixinha e nordestina e passou muitas dificuldades para conseguir patrocinadores e depois mantê-los. Mas isso não impediu de seguir o sonho de surfar as melhores ondas do mundo. “No Havaí, eu dormia no carro e só comia abacaxi, que eu roubava do quintal do vizinho”, conta.
O esporte é tudo. Não somente para a minha vida, mas como é a salvação de muitos adolescentes vulneráveis.
Tita Tavares
Hoje, Tita vive uma situação difícil. Recentemente a Defesa Civil condenou uma parte da casa onde mora há 30 anos. Aquela comprada ainda bem jovem e que desde então não passou por reformas. Com a ajuda do movimento Surfistas Negras, Tita organizou uma rifa para levantar fundos e arrumar o imóvel.
"Eu sempre fui lidando com coisas boas e ruins ao longo da vida, e sempre sabendo lidar. Sou grata por sempre ter representado meu estado bem e o Brasil bem", diz Tita, a guerreira do Titanzinho.
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