No verão, todo surfista brasileiro tem pesadelos com as praias abarrotadas de gente. Além da falta de ondas típica da estação, o seu pico favorito está inundado de "surfistas" de todos os tipos. Então, nada melhor do que ao menos sonhar com uma viagem para algum paraíso de ondas perfeitas.
Andamão e Nicobar
Estas ilhas na Índia têm ondas de ótima qualidade, mas o acesso é bem complicado. É preciso discretamente "molhar a mão" de muita gente com umas garrafas de uísque e alguns cigarros para ter a permissão de viajar para chegar lá. A ilha North Sentinel, em Andamão, tem ótimos picos de surfe e alguns aventureiros já estiveram por lá surfando. Mas a ilha abriga um dos últimos grupos tribais (sem contato externo) do mundo. Visitá-la é proibido há mais de um século. Os guerreiros de Norte Sentinel sempre resistiram à interação com pessoas de fora, saindo da floresta para espantar quaisquer tentativas de contato. Eles são hostis e afugentam invasores com lanças de madeira e flechas envenenadas.
Amazônia
A famosa pororoca do Araguari, na Amazônia brasileira, deixou de existir em 2014, quando o rio foi desviado para a criação de uma hidrelétrica. Mas Serginho Laus, o maior conhecedor de ondas de maré, e Ramón Navarro descobriram no rio Amazonas uma outra onda que pode ser surfada. Veja abaixo essa aventura (se preferir, ative as legendas em inglês).
26 min
Amazon High Tide
Ramón Navarro é um surfista corajoso o suficiente para atravessar a selva amazônica e encontrar uma onda secreta.
Oeste de Madagascar
Este lugar é tão remoto que chegar lá leva 24 horas dirigindo no meio do mato em estradas de terra. A cadeia de ilhas é ainda mais remota, levando mais quatro horas de barco. Para surfar, é preciso ficar acampado em uma pequena ilha com os pescadores do grupo tribal Vezo. A estada é sem eletricidade e o mais interessante a fazer pós-surfe é conhecer a cultura e tradições da população Vezo.
Gabão
Viajar pela vasta floresta na África significa passar por aldeias onde o cheiro de pelo de macaco queimado significa que há restaurante ou posto de gasolina por perto. Na aldeia em Mayumba, no Gabão, é possível surfar esquerdas perfeitas e sem ninguém por várias semanas. Mas é possível que você tenha que caminhar para todos os lugares, já que há apenas dois táxis na cidade, que geralmente não funcionam por causa da falta de combustível.
"No Man’s Land"
A península de Nouadhibou, à beira do deserto do Saara, no norte da África, tecnicamente não pertence a nenhum país. Era parte do Saara espanhol colonial até 1975, e foi disputado por Marrocos e pela Mauritânia até 1990. Atualmente, está sob controle do exército mauritano, mas não é formalmente reconhecido como território do país. Os extensos campos minados são um obstáculo perigoso para quem quer encontrar direitas infinitas. Mas se você der sorte de achar um motorista experiente, vai aproveitar condições perfeitas.
Noruega
No extremo norte do planeta está Lofeten, uma cidade da Noruega que abriga um dos picos de surfe mais extremos do mundo. As ondas são perfeitas, mas as temperaturas chegam a muitos graus baixo de zero. Além das temperaturas baixas, o local é agraciado pela aurora boreal e Mick Fanning já se aventurou surfando sob ela.
Serra Leoa
As Ilhas da Tartaruga, um grupo de bancos de areia da Península de Sherbro, na África Ocidental, são perfeitas para um cartão postal e abrigam algumas das aldeias mais tradicionais da África Ocidental. Elas também são a morada de ondas super longas em certos períodos do ano. Como há poucos visitantes, não existe hospedagem e também é difícil saber onde é possível acampar. É preciso pedir ajuda para alguém que tenha uma casa por ali para que você acampe no seu quintal. Mas o esforço vale a pena porque as ondas são perfeitas.
Mianmar
A ilha de Cheduba é uma grande ilha na Baía de Bengala, que não tinha recebido estrangeiros desde a partida dos últimos soldados britânicos, em 1948. É vetado aos estrangeiros viajar até lá, mas o fotógrafo John Callahan não sabia disso na ocasião de sua visita. Então, quando os visitantes chegaram com pranchas e bagagens, a polícia local deixou que eles ficassem sob tutela de um cuidador, que viria visitá-los de vez e quando para reportar a polícia. Eles aproveitaram para surfar em vários beach breaks e alguns point breaks também, retornando após uma semana de cabeça feita.
Arquipélago de Comores
Este arquipélago tropical está muito longe dos itinerários de viajantes, incluindo surfistas. Depois de visitar as ilhas Grande Comore e Anjouan, é possível entender por que cidadãos tentam entrar ilegalmente de barco em Mayotte, a única ilha de Comores que é ainda é parte da França. Mas Anjouan é uma ilha exuberante e adorável, semelhante a Kauai, no Havaí, com recifes de qualidade e beachbreaks. E, claro, pela circunstância, há pouquíssimos surfistas.
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