Surf

A brasileira que é a videomaker mais sinistra dos mares

© Lucca Biot
Yana Vaz é a única mulher a ter entrado remando pra filmar Jaws
Escrito por Maira PabstPublicado em
Nascida numa família ligada ao mar, Yana Vaz ainda era muito jovem quando aprendeu com o pai, um mergulhador, a respeito de marés, correntes e ondulações. Incentivada pela avó, pioneira da educação física no Rio de Janeiro, Yana começou uma relação de amor com esportes. Estava encaminhado ali o casamento entre ela e o surfe. E que ficou perfeito quando ela resolveu pegar uma câmera.
Yana Vaz em Puerto Escondido
Yana Vaz em Puerto Escondido
No intervalo das aulas que dava na academia da avó, Yana ia surfar. Até que um dia, com a mudança do mercado fitness, sua história começou a mudar. A academia fechou, e Yana ficou desempregada, mas com boa grana do seu fundo de garantia. Sem pensar muito, comprou uma passagem para o México. E foi lá que começou a encarar as ondas pesadas de Puerto Escondido. As fotos das sessões correram por sites brasileiros e ela ficou conhecida como a surfista destemida do bodyboard.
Num período no Havaí, descobriu sua outra paixão: a produção de imagens de surfe. Yana usou a técnica de captação que desenvolvia fora d'água para se tornar uma grande videomaker dentro d'água. "Quando fui pro Havaí, um amigo videomaker, o Paulo Barcelos, me deu a ideia. Eu já era bodyboarder e gostava de fazer imagens. Vi também oportunidade de trabalho, já que estava desempregada", conta. "vendi tudo que eu tinha. Vendi minhas joias, já que aqui no Rio a gente não pode sair com ouro, e comprei em equipamento. Assim eu me descobri", lembra.
+ Assista abaixo ao filme Nervous Laughter e veja um grupo de amigos desafiando Jaws, uma das ondas mais poderosas do mundo.
Surf · 1 h 23 min
Nervous Laughter
E assim virou referência. Está sempre em ação nos locais mais cascudos de surfe. E é preciso coragem pra fazer isso de frente pro pico da onda, com câmera na mão. Mas coragem não é problema pra ela: Yana é a única mulher a ter entrado para filmar Jaws, no Havaí, remando, sem auxílio de jetski. "Em Jaws venci meus próprios limites", diz. "A primeira vez que fui pra lá, fiquei fazendo imagens só nas pedras. Quando voltei, queria ir pra água. E entrei nadando mesmo. Coloquei a caixa estanque nas costas, peguei o bodyboard e meu pé de pato e fui. Só que tive que encarar as ondas de 10 pés [mais de 3 metros] que quebram nas pedras. Não foi fácil", lembra.
Extrovertida e brincalhona é uma figura querida nas barcas de surfe. Além de ser aquela pessoa que topa todas as roubadas que os amigos querem encarar. Recentemente, esteve na laje da Manitiba produzindo grandes conteúdos ao lado de Lucas Chumbo e sua equipe.
Sobre os desafios de ser uma mulher trabalhando em um meio muito machista, Yana debocha: "Um homem bota mais fé em outro homem para fazer imagem dele e se surpreende quando é uma mulher que fez a melhor imagem", conta.
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