O mexicano Carlos Nogales surfa Teahupoo em 2015
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Surf

Por que Teahupoo é a onda mais amada e temida do mundo

A onda que machuca (e mata!) é a mesma que há décadas apaixona surfistas do mundo inteiro
Escrito por Maíra Pabst
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Todos os anos a história se repete: o Circuito Mundial de Surfe vai chegando perto da etapa do Taiti e todos já ficamos ansiosos para ver as temidas ondas de Teahupoo ("tchupô, caso você queira pronunciar corretamente). Mas, afinal, por que tamanha espera?
A resposta é simples. A perfeição e beleza da onda quebrando constrói o paradoxal desejo de surfá-la e ao mesmo tempo o terrível medo de encará-la. Isso porque, como um fruto proibido, ela se mostra linda e sedutora, mas esconde suas garras afiadas logo na bancada rasa.
Posicionado no meio do Oceano Pacífico, o Taiti é a maior ilha da Polinésia Francesa e recebe as maiores ondulações da Terra. "Por causa da sua localização geográfica privilegiada, a ilha recebe ondas gigantes que foram formadas entre o Circulo Polar Antártico e o sul da Austrália e da Nova Zelândia", explica o oceonógrafo Pedro Guimarães.
A ilha tem formação de origem vulcânica, sedimentada por corais em todo seu entorno, o que deixa a água cristalina e azul turquesa, aquela cor de tirar o fôlego. Mas, além disso, essa formação também produz uma rápida transição de águas muito profundas para águas rasas, não permitindo que a onda perca energia antes de encontrar a bancada de coral sobre a qual ela quebra.
"Essa variação abrupta de profundidade transforma toda aquela energia, gerada por ventos extremos a milhares de quilômetros de distância, em tubos perfeitos de Teahupoo", explica Pedro.
O temor por encarar Teahupoo não é bobagem. Vários sufistas profissionais já se machucaram por lá. O brasileiro Neco Padaratz quase morreu afogado depois de ficar preso em um coral no ano 2000. “Tentei fazer uma manobra na junção e caí. Tomei uma onda na cabeça que me arrastou para as fendas entre os corais e fiquei com as pernas e a cordinha presas. Depois que passou a série, vi a claridade perto de mim, como se eu tivesse perto da superfície, mas não conseguia sair”, conta. Neco ficou em choque e cogitou abandonar o esporte. Somente em 2007 voltou a surfar por ali.
Se quer ver do que estamos falando, clique no vídeo abaixo e prenda a respiração para ver as cinco piores vacas de Teahupoo.
Surf · 1 min
Filmers@Large: As 5 piores vacas de julho
Outra que passou por momentos de pânico por lá foi Keala Kennelly, especialista em ondas grandes. A havaiana ficou desfigurada em 2011, ao ser arremessada no coral. Mas o acidente foi pequeno se comparado ao do surfista local Briece Taerea, que morreu ao bater violentamente contra a bancada e quebrar a coluna em três partes em 2001. Como ele, outros quatro surfistas morreram em Teahupoo.
Eu me lembro daquele dia sempre que surfo Teahupoo. Você nunca está totalmente segura quando entra naquelas ondas
Keala Kennelly, desfigurada após um acidente em 2011
Tudo isso ecoa na mente de quem teme a onda da Praia dos Crânios Quebrados (isso mesmo, esta é a tradução de Teahupoo). Mas jogando a conversa para o outro lado do paradoxo, a joia taitiana já proporcionou momentos de pura glória para o surfe mundial. E até mesmo momentos inusitados, que depois de ouvir os relatos acima é difícil acreditar que alguém teve coragem de realizar.
Mas se tem alguém que nada teme é Jamie O'Brien. O havaiano surfou Teahupoo em chamas e isso não é uma figura de linguagem. Se você não está entendendo nada ou se adoraria relembrar esse feito, clique no vídeo abaixo abaixo e divirta-se.
Surf · 1 min
Jamie O Brien surfa Teahupoo pegando fogo
Outro maluco que também realizou uma façanha nessa onda para lá de plástica foi o motoqueiro Robbie Maddison. O cara simplesmente surfou Teahupoo em cima de sua motocross. Isso também é muito difícil de explicar e acreditar. A prova está no vídeo abaixo.
FMX · 4 min
Robbie Maddison surfa Teahupoo com moto
Por essas e outras que Teahupoo entrou para o consciente coletivo como a onda das ondas. Um lugar mágico que proporcionou tantos momentos históricos. E ao mesmo tempo, uma onda temida e desafiadora, uma besta a ser domada.
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