Tênis

A recompensa de uma vida: Dominic Thiem chegou lá

© Pete Staples / USTA
Campeão do US Open, austríaco já mira o topo do ranking
Escrito por Gabriel CurtyPublicado em
* Atualizado em setembro de 2020
As últimas duas décadas do tênis masculino viram uma geração que ficará para sempre na história. Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic entram em qualquer discussão sobre o melhor tenista de todos os tempos e, por isso, dividir a mesma época com o trio tem sido tarefa ingrata para todos os outros. Foram raros os momentos em que algum outro atleta pode almejar algo além do quarto lugar do ranking e semifinal nos principais torneios. Mas domingo (13) foi diferente.
Até então, desde 2006, o mundo tinha visto apenas outros quatro atletas conquistarem títulos dos torneios que formam o Grand Slam: os Aberto da Austrália e dos EUA, Roland Garros e Wimbledon. Andy Murray e Stan Wawrinka levaram três cada e Juan Martín del Potro e Marin Cilic conquistaram uma vez o torneio norte-americano. De 57 troféus, apenas oito tinham saído das mãos do "trio de ferro". Ontem foi a nona vez.
Com a volta do circuito, o US Open foi o segundo Slam da temporada. E Dominic Thiem entrou na pequena lista daqueles que furaram o domínio de Federer, Nadal e Djokovic. Os dois primeiros, verdade, não jogaram em Nova York. O sérvio foi desclassificado nas oitavas de final ao acertar sem querer uma bolada em uma juíza de linha durante um acesso de raiva. O caminho estava aberto.
O Big 3 já passou (e bem) dos 30 anos. E o que vem quando essa turma pendurar as raquetes? A tal "Next Generation" (próxima geração) tem um monte de candidatos talentosos, mas ontem Thiem mostrou ser capaz de liderar essa galera, ainda que já tenha 27 anos. Cabeça de chave número 2, ganhou de virada depois de sair perdendo por 2 a 0 para o alemão Alexander Sverev. Fez 3 a 2 ao vencer o tie break do quinto set e fechar a partida em 4h02min.

Louco por futebol

Dominic Thiem
Dominic Thiem
Pois é, Dominic também é maluco pela bola de chutar. É torcedor do Chelsea e fundador e dono do 1. TFC Matzendorf, um time amador. Dono de uma rotina de exercícios e preparação muito regrada que vem desde seus pais, Wolfgang e Karin, que são técnicos, ele curte também salto com esqui e cresceu tendo como ídolos no tênis os compatriotas Stefan Koubek e Jurgen Melzer.
Atualmente número 3 do mundo, Thiem vive o auge do seu jogo depois de três derrotas em finais de Slam, incluindo o Aberto da Austrália deste ano. Tem um bom saque, uma devolução poderosa, se vira bem na rede e tem se sentido cada vez mais confiante para repetir na quadra dura as performances sensacionais que tem no saibro. Foi vice-campeão em Roland Garros nos dois últimos anos e vai chegar cheio de moral a Paris - o torneio começa dia 21.
Eu dediquei minha vida inteira para vencer um dos quatro grandes torneios. E agora eu consegui
Dominic Thiem
Thiem vem dando mais e mais passos e não dá para não pensar nele como número 1 do mundo daqui a um tempo. O piso duro, que já foi seu calcanhar de Aquiles, lhe deu seu primeiro Slam. Chegou a hora de escalar até chegar ao topo?
Mais firme nos diferentes tipos de piso, crescendo em horas decisivas e com um calendário que não força tanto a parte física como em temporadas anteriores, Thiem está voando e tem tudo para se manter forte. Só o tempo vai dizer até onde poderá chegar, mas o cume da montanha parece cada vez menos distante.
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