Coringa - Heath Ledger
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Cinema & TV

Como o Coringa conquistou os cinemas

De Cesar Romero a Jared Leto, relembre a trajetória e a evolução do vilão nas telonas
Escrito por Adoro Cinema
6 min de leituraPublicado em
Ele só perde para Darth Vader, segundo a lista montada pela revista Empire para ranquear os maiores vilões da história do cinema: o Coringa é, afinal de contas, um dos mais complexos e profundos antagonistas da cultura pop. Criado em 1940 - ano no qual fez sua estreia ao lado de seu arqui-inimigo, o Batman -, o Palhaço do Crime foi escrito para ser morto ainda na primeira aventura em quadrinhos do Homem-Morcego. Ele, no entanto, foi salvo durante a edição, o que permitiu que se tornasse, em todas as suas versões até esta em produção no momento, a de Joaquin Phoenix, um dos mais interessantes e caóticos personagens da história - e muito por causa de suas aparições nas telonas.
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O Coringa de Cesar Romero

Coringa na pele de Cesar Romero
Coringa na pele de Cesar Romero
A primeira vez em que o inimigo do Maior Detetive do Mundo assombrou Gotham nas salas de cinema foi em 1966, época em que o Cruzado Encapuzado protagonizava sua própria série, a clássica e simpática Batman, com Adam West no papel principal e Cesar Romero como seu maior inimigo. Mais cômico, divertido, leve e até mesmo mais bobo do que suas versões posteriores, o Coringa da década de 1960, assim como o super-herói que sempre antagonizou, estavam muito mais em sintonia com a vibe infanto-juvenil dos quadrinhos. Temas mais pesados como a Guerra Fria faziam parte das narrativas, tanto no cinema quanto na TV, mas tudo se resumia, no fim das contas, à mais simples luta entre o bem e o mal. Aqueles eram, definitivamente, outros tempos.
Entretanto, o vilão, que só retornaria ao cinema 23 anos depois, logo sofreu com as mudanças de um mundo em constante estado de transformação e de tensão política. E foi justamente na década de 1980, era em que o Homem-Morcego passou por algumas de suas mais fundamentais mudanças, que o Coringa caiu nas mãos de ninguém mais, ninguém menos que Jack Nicholson.

O Coringa de Jack Nicholson

O Coringa na pele de Jack Nicholson
O Coringa na pele de Jack Nicholson
O premiado ator recebeu a missão de interpretar uma versão mais insana do Palhaço do Crime na adaptação das aventuras do Batman comandada por Tim Burton e estrelada por Michael Keaton - em Batman (1989). Inspirado pelas recentes leituras do personagem pelos quadrinistas Frank Miller e Alan Moore, o filme apostou em um tom muito, muito mais sombrio, deixando a grande confusão de cores da série dos anos 1960 do Maior Detetive do Mundo para trás.
A interpretação de Nicholson foi tão marcante e singular, que o vilão foi praticamente afastado da sétima arte: afinal de contas, como seria possível superar a insana, visceral e comicamente sombria atuação de um ator vencedor de 3 Oscar, um dos dois únicos intérpretes (Daniel Day Lewis é o outro) a concretizar tal façanha na história da premiação? Heath Ledger responderia à pergunta com propriedade em 2008, ano em que o Palhaço do Crime foi resgatado por Christopher Nolan em sua Trilogia O Cavaleiro das Trevas.

O Coringa de Heath Ledger

O Coringa na pele de Heath Ledger
O Coringa na pele de Heath Ledger
Tragicamente potencializada pelo precoce falecimento do astro, que morreu antes mesmo do lançamento do longa, a performance de Ledger foi alçada aos mais altos patamares da cultura pop - especialmente após lhe render um Oscar póstumo na categoria Melhor Ator Coadjuvante, o primeiro para um protagonista de um filme de super-heróis na história da premiação da Academia. Perfeito ao incorporar a essência de agente do caos que está no centro da constituição do Coringa, o ator entregou aquela que hoje é considerada a versão definitiva do Palhaço do Crime, mais realista e mais adequada à realidade dos Estados Unidos após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

O Coringa de Jared Leto

O Coringa na pele de Jared Leto
O Coringa na pele de Jared Leto
O Coringa de Ledger, no entanto, não teve o mesmo benefício do distanciamento histórico que o de Nicholson pôde desfrutar: em dezembro de 2015, a Warner anunciou que Jared Leto, que acabara de vencer o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Clube de Compras Dallas (2013), seria o Arlequim do Ódio do Universo Estendido da DC. A empolgação do público a partir da escalação do líder da banda 30 Seconds to Mars, só foi igualada pela antecipação gerada pelos trailers e materiais de divulgação de Esquadrão Suicida (2016).
O resultado final, contudo, foi desastroso: apesar da boa arrecadação, a aventura fantástica de David Ayer foi atacada pelos críticos e a incongruência da trama só foi meramente salva, acima de tudo, pela interpretação de Margot Robbie para a Arlequina, o par do Coringa de Leto. O Palhaço do Crime vivido pelo ator acabou ganhando uma sobrevida, assim, por causa de sua companheira de cena: logo após Esquadrão Suicida (2016), a DC anunciou pelo menos dois spin-offs envolvendo o antagonista, um deles coestrelado por seu par.
Todavia, tudo indica, atualmente, que só mesmo a Arlequina de Robbie seguirá firme e forte, tanto por causa do filme Aves de Rapina (2020), quanto por causa do reboot planejado para Esquadrão Suicida, nas mãos do diretor e roteirista James Gunn (Guardiões da Galáxia Vol.1 e Vol.2).
Joaquim Phoenix será o novo Coringa nos cinemas
Joaquim Phoenix será o novo Coringa nos cinemas
Além disso, a próxima versão do Coringa também complicou a situação de Leto em um geral - mesmo que o ator e músico tenha entregado uma boa performance - uma vez que o Palhaço do Crime agora tem um novo dono: Joaquin Phoenix, que viverá o arqui-inimigo do Batman no filme homônimo, uma produção que vai inaugurar o DC Dark, universo paralelo ao Universo Estendido da DC.
Como o longa só será lançado em outubro deste ano, nos resta apenas especular sobre a trama a partir das imagens já divulgadas - que, por sua vez, parecem confirmar a ideia do diretor Todd Phillips em trazer uma versão ainda mais sombria, violenta e brutal do Palhaço do Crime. E com um ator tão talentoso e aclamado como Phoenix no papel, as chances da aposta funcionar são, no mínimo, sólidas.
Independentemente da leitura do personagem, no fim das contas, o Coringa é uma criação da cultura pop como nenhuma outra. Sempre atraindo grandes atores, o vilão certamente é um daqueles personagens da ficção que sempre retornarão às telonas, aos quadrinhos e a todos as mídias por ser tão complexo, influente e relevante.