Em um esporte onde grandalhões que beiram ou superam os 2 metros são maioria, ser eleito o melhor do mundo por duas vezes com "apenas" 1,85 metro é coisa para caras especiais, com muito talento. É o caso de Bruno Schmidt. Mas este brasiliense de 34 chegou a cogitar abandonar o vôlei de praia justamente por conta da altura.
Quando começou a despontar no circuito nacional, Bruno não estava tão convencido de que poderia virar uma lenda das quadras de areia. "A questão da estatura sempre foi um assunto pesado pra mim. Eu ouvia muita gente falando que eu não iria longe. Pensei algumas vezes em desistir, mas meu pai me incentivou. Provei que o vôlei de praia é um esporte democrático. Não é uma régua que vai definir se posso ou não vencer", diz.
Bruno Schmidt foi eleito em 2015 e 2016 o melhor jogador do mundo
© Samo Vidic / Red Bull Content Pool
Foi o título mundial sub-21, em 2006, em parceria com Pedro Solberg, que indicou o caminho a seguir. "Foi o estalo que eu precisava. Ele é um divisor de águas na minha carreira, porque, naquela época, eu era mais presente na faculdade do que nos treinos e jogos. O título mostrou que eu estava no caminho certo", lembra o campeão olímpico de 2016.
Provei que o vôlei de praia é democrático. Não é uma régua que vai definir se posso ou não vencer
Bruno fez bem em seguir a sua intuição. Em 2007, ele estreou no Circuito Brasileiro e levou o prêmio de atleta revelação. Era só o prenúncio de uma jornada que resultaria em mais de 50 pódios e duas premiações como melhor do mundo, em 2015 e 2016.
Ao lado de Evandro, Bruno ocupa a quarta colocação no ranking mundial
© Samo Vidic / Beach Volleyball Major Series / Red Bull Content Pool
Por ser mais baixo que a média dos atletas, Bruno precisou lapidar ainda mais alguns fundamentos. Se não dava para igualar na altura e na envergadura, ele se sobressairia na técnica.
"Quanto mais alto você for, mais fácil será pra virar bolas. Eu teria que fazer tudo perfeitamente para chamar a atenção. Sempre me cobrei em cada detalhe. O que me diferencia dos caras mais altos que dominam o circuito é o leque de armas que tenho, tanto defensiva quanto ofensivamente", conta.
Recuperado do baque
A temporada 2021 começou com um susto e tanto para Bruno. Em fevereiro, ele foi internado às pressas em virtude de problemas ocasionados pela Covid-19. Foram cinco dias na UTI. "Estava com 70% dos meus pulmões comprometidos. Vencer essa doença foi a minha maior vitória este ano. Pelas minhas condições, eu poderia ter virado estatística", conta.
Nos três primeiros jogos de Bruno e Evandro em Tóquio, três vitórias e a liderança da chave. Nas oitavas, a dupla não encontrou o seu melhor jogo e caiu para os letões Martins Plavins e Edgars Tocs por 2 sets a 0.
Time de Ouro
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