Como percebeste, se assististe ao mítico live set de Aphex Twin no Printworks London em Setembro, os seus sets percorreram toda a extensão da música eletrónica. O DJ, produtor e compositor, misturou as suas próprias produções e improvisos com sintetizadores modulares com uma seleção de faixas desde o hardcore old-school, passando pela jungle music até à mais recente música eletrónica.
Ouve no player acima algumas das faixas imprescindíveis do set que devolveu a Londres uma das atuações mais memoráveis de sempre do produtor (que já não dava concertos na capital do rave há mais duma década) e descobre mais sobre algumas das faixas que mais se destacaram neste concerto:
Renegade Soundwave – Ozone Breakdown
Amados não apenas por Richard D James, mas também por gigantes como The Prodigy e Chemical Brothers, os Renegade Soundwave - aka os londrinos Danny Briottet, Carl Bonnie e Gary Asquith - foram os pioneiros do hardcore rave. Usando um simples sampler Akai S900, misturaram a estética dub, techno e punk num som inovador que ainda hoje continua a soar bem.
Gescom – D1
Não é - intencionalmente - claro quem são as pessoas envolvidas na produção de qualquer disco dos Gescom, mas uma coisa que se pode afirmar com alguma certeza é que de alguma forma envolvem a mão de Rob Brown e de Sean booth, mais conhecidos como Autechre, os compatriotas de Aphex Twin da Warp Records. A Gescom normalmente vem com uma vibe ligeiramente diferente dos Autechre, um pouco menos cerebral, com mais atenção a ritmos ácidos e electro - embora, como D1 prova, seja possível fazer algo que faça mexer o corpo, mas carregado de idiossincrasia técnica.
DJ Doktor Megatrip – Joy
Lançado pelo DJ Doktor Megatrip, Joy é na verdade o trabalho da Psychic TV, a banda industrial veterana liderada pelo ex-membro de Throbbing Gristle, Genesis P-Orridge. Afastando-se um pouco do rock industrial da década de 80 da Psychic TV, Joy foi uma tentativa de entrar na bem-sucedida onda da rave music, com as suas melodias ácidas e batidas fortes, trazendo uma dose de ‘weirdness’ incomum para a cena rave underground, no seu ano de lançamento, em 1988.
ZULI – Trigger Finger
A primeira metade do set de Aphex Twin foi repleta de rave e techno hardcore, clássicos e deep cuts - mas por volta da segunda metade, começou a procurar algumas sonoridades mais contemporâneas, provando que ainda tem um ouvido aguçado para novos sons. Pensemos na Trigger Finger, por exemplo. Uma produção de 2018 do beatmaker egípcio ZULI, é uma fusão ousada de percussão jungle e jogos de distorção que evocam uma atmosfera simultaneamente sinistra e carregada de adrenalina nervosa.
AQXDM – Infrared
Esta faixa ainda não tinha sido lançada quando Aphex a passou na rave, mas agora já foi lançada oficialmente - yey! A dupla transatlântica AQXDM - conhecida individualmente como Aquarian e Deapmash - estreou no ano passado com um single pela Bedouin Records e agora regressa com este banger, uns contidos mais intensos oito minutos de techno, carregados de efeitos atmosféricos e uma sensação de euforia atordoada.
Aphex Twin – Stone In Focus
Esta não está no Spotify, e é muito difícil de a arranjar em formato físico - foi incluída em edições de vinil do silenciosamente sonhador Selected Ambient Works II, de Aphex. Talvez por esse motivo, seja uma das faixas mais apreciadas pelos aficionados de Aphex Twin, e as suas apresentações ao vivo sejam recebidas com muita emoção na secção de comentários. Na noite mítica no Printworks London, Aphex tocou-a como um breve interlúdio do caos - mas podes ouvi-la na íntegra no player acima.
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