Sempre a subir. E a descer.
© Getting Over It With Bennett Foddy
Games

5 jogos para ascender a uma existência superior

De maneiras diferentes, estes jogos vão-te fazer atingir um novo patamar de humanidade quando os terminares.
Escrito por Equipa Redbull.pt
9 min readPublished on
Diferentes pessoas jogam por diferentes razões. Há quem procure apenas desfrutar, passar tempo ou conviver com amigos. Há quem procure ter uma boa dose de competição, testar-se contra outros e aumentar as suas capacidades enquanto jogador. Há quem pretenda atingir um estado de existência superior, 'quasi divino' nunca alcançável por aqueles que pretendem apenas "divertir-se". Comuns mortais.
Estás disposto a abdicar do conforto da simples existência humana para alcançar um patamar destinado apenas a malta do 'speedrun' e aos que não sabem jogar nada sem ser em dificuldade muito, muito, bastante difícil? Pois bem, então aqui estão cinco jogos que te podem levar lá. Encontramo-nos no Panteão.

Dark Souls

Dark Souls

Dark Souls 3 já é um clássico

© Bandai Namco / From Software

Nós sabemos, nós sabemos. "DaRk SoULs nÃo é AsSim TãO DifÍcil." Bem, não é suposto ser!

O Red Bull Original

Red Bull Energy Drink

Red Bull Energy Drink
O universo Souls tem regras e mecânicas muito específicas que requerem uma constante melhoria por parte do jogador para superar os diferentes desafios que os inimigos e bosses nos colocam. Ou as dominas, ou não. Nenhum jogo da série te dá nada de mão beijada: se falhas, falhas porque fizeste algo mal.
O teu falhanço é recompensado com morte e perda de Souls, que funcionam como experiência e moeda do jogo. Quando ressuscitas podes recuperar estas Souls se conseguires voltar ao local onde morreste. Se morreres antes, ardeu: não há Souls para ninguém. Parece duro, mas é apenas uma maneira do jogo te dizer "não foste tão bom quanto da última vez, 'get better'".
Dark Souls 3

Pronto para o combate?

© FromSoftware/Bandai Namco Entertainment

O jogo não é de todo um "snack" para te ires entretendo ao longo da tarde ou da noite. É algo que requer o teu foco e paciência para que o possas domar. Se te dedicares verás que a maior parte dos inimigos são batíveis quando se possui as capacidades certas, adquiridas apenas através de muitas horas de jogo. No fundo, é uma jornada de superação pessoal: quando finalmente derrotas um boss que te levou 8 horas sentes-te recompensado porque sabes que, através de muita persistência e determinação, evoluíste enquanto jogador e pessoa.

I Wanna Be The Guy: The Movie: The Game

Maçãs, o teu pior inimigo

Maçãs, o teu pior inimigo

© I Wanna Be The Guy: The Movie: The Game

Se Dark Souls não é um jogo gratuitamente difícil, I Wanna Be the Guy: The Movie: The Game é precisamente isso, com todo o seu ser. Desenvolvido por Michael 'Kayin' O'Reilly, IWBTG é um jogo de plataformas 2D que parodia jogos da era dos 8 e 16 bits e, sucintamente, feito para te frustrar.
Este é um jogo desenhado específicamente com o propósito de te matar de maneiras que nunca esperas e para as quais não estás preparado até te deparares com elas. Em IWBTG encarnas "The Kid", um miúdo em busca de derrotar e se tornar "The Guy". Pelo caminho, vais enfrentar bosses como Mike Tyson, Dracula ou Bowser e, surpresa, surpresa, morrer. Muito. Bastante. Demasiadas vezes. Isto porque, faças o que fizeres, tudo mata "The Kid" com apenas um toque.
Seja um projétil de um boss ou uma maçã que cai de uma árvore, basta que um pixel entre em contacto com a tua personagem para que esta sofra uma explosão de prorporções exageradas e sejas obrigado a começar o nível todo de novo.
É desafiante, mas se estiveres à procura de um desafio que não está ao alcance de muitos nesta terra então sugerimos que tentes passar o jogo na dificuldade "Impossible", que te retira todos os 'save points' do jogo e te diz "faz isto de uma só vez, do início ao fim". Se o decidires fazer convém que afastes toda a porcelana da tua avó das redondezas.
Vais ver isto muitas vezes

Vais ver isto muitas vezes

© I Wanna Be The Guy: The Movie: The Game

Não será fácil manter a calma, porém, caso consigas completar esta demanda, serás um deus dos jogos de plataformas, capaz de fazer speedruns de Super Marios e derivados como quem coze uma batata. Serás "The Guy"!

Kerbal Space Program

Próxima paragem: Espaço

Próxima paragem: Espaço

© Kerbal Space Program

No completo oposto do espectro de dificuldade e ascensão existencial está Kerbal Space Program. KSP é um jogo de simulação de voo espacial em que controlas um programa espacial de Kerbals, pequenos aliens humanoides. O nome do jogo diz tudo.
Como deves calcular, chegar ao espaço não é fácil e, sendo um jogo de simulação, KSP não te deixa chegar à exosfera, entrar em órbita e visitar outros corpos celestes assim sem mais nem menos. O jogo simula física e órbitas de maneira realistíca e obriga-te a aprender a par e passo à medida que vais avançando a nível científico, tecnológico e de engenharia. E não, não precisas de ser mestre em física quantica ou engenharia espacial para o fazer. Mas serás obrigado a aprender da pior maneira: com falhanços e explosões das coisas que com tanto carinho construíste e desenvolveste. Faz parte.
Vai um saltinho a Mar... Quer dizer, Duna?

Vai um saltinho a Mar... Quer dizer, Duna?

© Kerbal Space Program

A moral de Kerbal Space Program é que se estiveres disposto a aprender vais sempre conseguir chegar mais longe. Levantaste voo? Boa, agora trata de aprender como se chega ao espaço. Chegaste ao espaço? Boa, agora trata de aprender a pôr satélites em órbita. Já fizeste isso? Ótimo, está na hora de aprenderes a chegar à lua. Já está? E se enviasses para o espaço uma estação espacial internacional que se monta sozinha assim que entra em órbita? Houve um tipo no Reddit que o fez em oito horas. Que desafio vais assumir? Basta-te aprendar a chegar à Mun (entenda-se lua) ou estás disposto a entrar numa aventura de descoberta espacial? O universo é o limite.

DOOM/ DOOM Eternal (Ultra-Nightmare)

Este é um desafio que, confessamos, te pode deixar careca. Porém, estarias a sacrificar a tua pilosidade em nome de algo maior: terminar o DOOM de 2016 (ou o novo DOOM Eternal, porque não?) em Ultra-Nightmare.
Ser Doom Slayer não é para todos

Ser Doom Slayer não é para todos

© ID Software, Bethesda Softworks

A não ser que sejas uma espécie de mestre de Arena FPS, com horas e horas de Quake e Unreal Tournament, este reboot será sempre um desafio. DOOM é diferente de 90% dos shooters contemporâneos, muito assentes em mecânicas de "cover and shoot", e obriga-te a correr, esquivar e aniquilar inimigos constantemente para te manteres na batalha. O ritmo é frenético e o jogo obriga-te a acompanhá-lo. A banda sonora ajuda.
Para alguém não habituado às particularidades de um Arena FPS, jogar DOOM em Ultra-Violence já é complicado o suficiente, pelo menos numa fase inicial, pois é fácil perder vista dos inimigos e de onde vem o dano caso o teu movimento e 'tracking' da posição dos demónios não esteja no ponto. A dificuldade Nightmare, a mais difícil do jogo à partida, aumenta o dano causado pelos inimigos, reduz a saúde e armadura que consegues ganhar com drops e, bem, já é um bom causador de calvície. Não acompanhar o ritmo do jogo é morte certa neste modo, que pelo menos te deixa voltar a tentar passar o nível a partir do último checkpoint. Isso não acontece em Ultra-Nightmare.
O modo de jogo mais difícil de DOOM é igual ao modo Nightmare, com a pequena particularidade de ter morte permanente. Então, se morreres... Ardeu, patrão. Volta à casa de partida e recolhe uma mão cheia de nada.
'Smile!'

'Smile!'

© Bethesda

Para pôr as coisas em perspectiva, passar o jogo em Ultra-Nightmare (sem morrer, portanto) é tão complicado que nem a própria equipa da id Software, a desenvolvedora do jogo, o conseguiu fazer antes deste ir para as lojas, em 2016. Claro, a sempre incrível comunidade de 'speedrun' tratou disso num instante, mas cremos que já ficou estabelecido que se tratam de deuses entre mortais. Tu também podes chegar lá, claro. As únicas dicas que te podemos dar é que não há método certo para bater DOOM em Ultra-Nightmare e que o modo abaixo é um ótimo centro de treinos. Descobre o que resulta para ti e faz-te à pista, Doom Slayer. Só não fiques parado.
Se já tens DOOM mais do que arrumado, então DOOM Eternal é uma boa escolha de jogo para dominar. Escrevemos umas palavras sobre o porquê desta sequela ser uma espécie de segunda vinda do Messias dos shooters.

Getting Over It with Bennett Foddy

A um pixel da frustração e do choro

A um pixel da frustração e do choro

© Getting Over It With Bennett Foddy

"Não há sensação mais intensa do que ter de começar de novo."
"Se apagaste o teu trabalho de casa no dia antes da entrega, como eu fiz: se deixaste a carteira em casa e tens de voltar atrás, depois de passar uma hora na comuta; se ganhaste um algum dinheiro no casino e puseste tudo no vermelho e saiu preto; se puseste a tua melhor camisa a lavar a seco para um casamento e imediatamente a sujaste com comida; se ganhaste uma discussão com um amigo e mais tarde descobriste que eles voltaram ao seu ponto de vista original, começar de novo é mais difícil do que começar."
"Se não estás pronto para isso, se já tiveste um mau dia, então aquilo que estás prestes a atravessar talvez seja demasiado. Sente-te à vontade para ir embora e voltar mais tarde. Eu estarei aqui."
Estas são as palavras com que Bennett Foddy te recebe em Getting Over It e, honestamente, não poderíamos começar a falar desta experiência de qualquer outra forma.
Segura-te bem

Segura-te bem

© Getting Over It With Bennett Foddy

Foddy é a mente por detrás de jogos marados como QWOP (aquele em que tens de controlar os membros de um corredor) e serve como narrador para Getting Over It, um jogo em que tens de ajudar Diógenes, um homem preso dentro de um caldeirão, com um martelo, a escalar uma montanha. Não faças perguntas difíceis.
Foddy avisa-te com razão: Getting Over It não é fácil e vai obrigar-te e fazer a mesma jornada vezes e vezes em conta, pois, se caíres, só a sorte de protegerá de um frustrante regresso ao início. O narrador comenta cada falhanço, cada queda e também cada vitória, levando-te numa jornada filosófica de reconhecimento pessoal.
Sempre a subir. E a descer.

Sempre a subir. E a descer.

© Getting Over It With Bennett Foddy

Cada falhanço, acompanhado de frustrante frase filosófica, é um balde de água fria, uma ida às profundezas do desespero humano, uma grande questão existencial exprimida apenas através de grunhos que somos incapazes de verbalizar. Mas, cada montanha, cada obstáculo que passas depois de teres falhado é o simbolizar da tua perseverança e vontade de ir mais além.
Sem te dar nada, o jogo recompensa-te com uma sensação de realização que encontrarás em poucos jogos. Talvez mais do que outros, Getting Over It with Bennett Foddy é o jogo que verdadeiramente te fará crescer enquanto ser. Quase como um monge shaolin, depois de escalares a montanha serás a personificação da paz de ser.
Mais nenhum jogo te perturbará. Terás, verdadeiramente, ascendido.