Letícia Bufoni sempre viveu rodeada por skaters do sexo oposto. Viver num mundo de homens, levou a atleta a trazer o seu toque feminino ao ambiente hiper-masculino do skate. A primeira profissional feminina da Plan B e uma das atletas mais high-profile da Nike, ajudou a transformar o cenário do mundo do skate feminino.
Letícia consolidou a sua posição no mundo do skate. Deitou abaixo barreiras mas isso não a cansou. Tudo surgiu muito naturalmente, através do seu trabalho.
Foram anos a disputar competições entre homens porque não havia mulheres suficiente no desporto no Brasil. O skate era "uma coisa de homens"!
Hoje, isso ficou tudo para trás e muito por causa de Leticia. Ela cresceu, conquistou o seu espaço na cena e pode ser quem é.
Como foi crescer num meio tão masculino e competir sempre entre homens?
No início o meu pai opôs-se, por achar que eu estava num ambiente muito masculino, mas estava tão determinada a continuar que, de forma natural, ele foi aceitando. Acho que o mesmo se aplica ao público em geral. No início as pessoas achavam realmente diferente, uma miúda estar entre rapazes, mas foram-se habituando. Fui-me destacando nos campeonatos e a aceitação acabou por ser natural.
Alguma vez te sentiste “menor” ou diminuída por ser mulher?
Nunca me senti menos por ser mulher. Tive a sorte de começar cedo no skate e rapidamente fui sendo aceite por todos. Os meus amigos foram uma ótima fonte de motivação para continuar e aprender novas manobras.
Para teres chegado tão longe, não deves ter ligado nenhuma à discriminação. Como conseguiste fazer isso? O que te passou pela cabeça?
Nunca liguei a essas coisas. Na minha cabeça só pensava em andar de skate. Estava tão determinada e focada nisso que só queria evoluir, aprender novas manobras e em divertir-me.
Sentes-te livre para fazeres o que queres no teu meio e expressares-te à tua maneira?
Com toda a certeza, sempre me senti livre e pude expressar-me como sou. Acredito que isso foi muito importante para o destaque que acabei por ter.
Achas que depois de ti, os homens passaram a respeitar mais mulheres no skate?
Acho que sim. Pelo menos é o que me dizem sempre (risos).
O que dirias a uma rapariga que se queira lançar no mundo do skate?
Diria-lhe para continuar a andar de skate, para não ter medo de cair e, se caísse, que se voltasse a pôr em cima da tábua de skate. Que se sinta livre em cima da tábua, que seja feliz e que, se algum dia, alguém lhe disser que o skate não é um desporto para mulheres, que venha dizê-lo à Letícia Bufoni (risos).


