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De Londres para o Rio de Janeiro: como o Grime cresce no Brasil

© Lucas Kowalsky / @shotbykowa
Género que nasceu há 20 anos em Londres ganhou uma nova força no Rio de Janeiro, onde se mistura com sonoridades locais como o baile funk.
Escrito por Evandro Pimentel e Jesse Bernard, adaptado por equipa redbull.ptPublicado a
Music · 8 min
Grime Cypher: Reino Unido X Brasil
No final de 2019, a banda sonora do Rio de Janeiro ganhou um novo ritmo. Passeando pela Lapa, a considerada "red light district" do Rio de Janeiro e uma zona onde mais rapidamente se espera ouvir músicas da cena underground local - como o baile funk - ouvimos antes faixas vintage de artistas como Section Boyz, Skepta, e Giggs. Como é que o grime, um mistura de rap e punk com batidas que lembram o funk, viajou de Londres para acabar no Rio?
Há um ano antes, seria difícil encontrar uma rave onde se ouvisse estes artistas; mas plataformas como o YouTube provaram que os sons podem espalhar-se rapidamente e, ultimamente, DJs, produtores e MCs brasileiros têm procurado inspiração para além do país de origem. É o caso dos MCs Fleezus e Febem, que já colecionam milhares de vizualizações online e lideram o novo movimento no Brasil. A dupla esteve pela primeira vez em Inglaterra no final de 2019 e passou pelo Red Bull Music Studios Londres com o seu produtor, Cesrv, para gravar um cypher com Eyez, Yizzy e Jevon, MC descendente de brasileiros (vê no player acima).
"Parece que o grime é daqui, porque ele já opera num BPM semelhante ao do funk"
Cesrv
"Queremos viajar para fora para nos darmos a conhecer, porque no Brasil o mercado não é tão grande para a música que fazemos", explica Cesrv, que lançou recentemente o EP "BRIME!", em colaboração com os MCs Fleezus e Febem. "Duas músicas, 'Chelsea' e 'Soho' foram feitas do zero lá em Londres", conta Febem. "Foi uma surpresa até para nós."
O projeto nasceu como banda sonora do documentário filmado em Londres, Say Nuttin’ – que mostra a cena underground do skate e da música na cidade –, mas ganhou vida própria após o lançamento do videoclipe da música Raddim, a primeira faixa do EP. "O 'BRIME!' surgiu de um processo quase orgânico, tendo em conta que o funk e o grime, os seus elementos principais, fazem parte da nossa vida", diz Fleezus.
Cesrv, Fleezus e Febem em Londres
Cesrv, Fleezus e Febem em Londres
A migração do som britânico para o Brasil não teria acontecido tão rapidamente sem a internet. Por aqui, o grime ganhou uma identidade própria ao incorporar elementos do funk, além de eskibeat, garage, bassline, drill e trap. O som é tão poderoso que, mesmo cantado em português, tem tudo o que precisa para dominar o mundo. Mas e no Brasil?
"Parece que o grime é daqui, porque ele já opera num BPM semelhante ao do funk", comenta Cesrv. "O grime normalmente fica entre os 130 e os 140 BPM e o funk nos 150 BPM, mas o funk 130 BPM está muito popular." Pode demorar até o grime ganhar força no Brasil, mas a cena nacional já surgiu de forma explosiva. "Precisamos de levar a nossa cena adiante e olhar para o exterior, mas também temos de manter os nossos ouvidos abertos para o que está a acontecer de onde viemos, porque no final das contas é para os brasileiros que estamos a fazer música".
O que ver a seguir? Faz download da app da Red Bull TV e acede a todos os vídeos. Disponível na App Store e na Play Store.