Sam The Kid
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Music

À conversa com Sam The Kid, um gigante do hip-hop tuga

Uma conversa entre Brasil e Portugal com uma lenda do hip-hop tuga.
Escrito por Evandro Pimentel, Adaptado por Equipa Redbull.pt
5 min readPublicado a
A paixão de Sam The Kid pelo rap faz dele um daqueles MCs que não pára de produzir materiais novos, muitas vezes acompanhado de outras pessoas que, assim como ele, são lendas da música.

Vê o episódio do Talk Show FrancaMente com Sam The Kid e Kamau:

Um dos principais artistas da cena do hip-hop tuga, STK lançou o seu primeiro álbum, Entre(tanto), em 1999, recebeu um disco de ouro por Pratica(mente), uma raridade nos dias que correm, e hoje desdobra-se em diferentes projetos que sempre deixam marca na cena musical e cultural nacional. Este ano, após a compilação Mechelas com múltiplos MCs, assinou um álbum colaborativo com Valete: Um Café e a Conta.
Mas o envolvimento de Sam The Kid com a cena vai além da música. Recentemente, criou com alguns amigos a Chelas é o Sítio, organização sem fins lucrativos que busca fomentar a cultura no bairro lisboeta. Ainda este ano, vai também ser o apresentador do Red Bull FrancaMente de Portugal – versão do Red Bull Batalla de los Gallos, duelo de MC's mais famoso do mundo. "Agora estou sempre à procura de uma oportunidade para dizer 'olha, vem aqui pra Chelas, bora fazer a batalha aqui em Chelas'", conta o rapper.
No Brasil, a primeira edição do Red Bull FrancaMente decorreu em 2018 e voltou com tudo para a sua segunda edição em 2021, que não só colocou os melhores MCs do Brasil na disputa do título da competição – vencida pelo baiano Bl4ck – como inaugurou um novo canal de colaboração entre rappers da língua portuguesa. "A diversidade dos diferentes sabores dessa única língua que é o português é um fator espetacular que acho que deveria ser muito mais celebrado", diz Sam.
Em Portugal, a competição já está aberta. Para participar, MCs devem fazer download da aplicação do Red Bull FrancaMente (disponível para IOS e Android), inscrever-se no evento "Red Bull FrancaMente Portugal: Qualificador", escolher um beat e submeter um improviso de até 60 segundos com base nas palavras que aparecem no ecrã.
Lê a conversa do Sam com Evandro Pimentel, da Red Bull Brasil, aquando da competição brasileira e conhece melhor a sua relação com o Brasil e as novas parcerias que prepara para um futuro próximo.
Como o rap entrou na sua vida e o que mudou depois disso?
Foi bastante natural, como entra na vida de muitos jovens. Eu era uma criança nos anos 80 e naquela época a linguagem do rap sempre esteve presente em muitas músicas pop. Mas foi só mais tarde, em 1993, que o clip de "93 'til Infinity", do Souls of Mischief, despertou em mim uma curiosidade diferente. Eu tinha uns 12 anos e senti uma coisa diferente, uma coisa de culto, de movimento, algo que não era para todos. E isso atraiu-me bastante, além do fato de que eu sempre gostei de rimas e de dançar. Comecei a comprar vários discos de rap, comecei a querer fazer músicas, foi uma paixão bastante gradual que se mantém até os dias de hoje.
Qual é o seu contato com o rap brasileiro? É muito diferente do português?
O primeiro contato que tive com o rap do Brasil foi o mesmo que a maior parte da minha geração teve. Em meados dos anos 90, tivemos acesso ao primeiro álbum de Gabriel, o Pensador. Então eu quis conhecer alguns dos rappers que estavam a fazer a mesma coisa que ele aqui em Portugal. Ele foi uma inspiração para a maior parte da minha geração de rappers. Em relação à diferença, diria que houve uma fase em que eu considerava o rap de Portugal ligeiramente mais técnico nas sequências silábicas, mais complexo em termos de flow. Mas já não sei se posso apontar essa diferença porque também há uma grande variedade de sabores de rap vindo do Brasil e de pessoas que gostam de fazer malabarismos incríveis com a língua portuguesa.
Sam The Kid
Sam The Kid
Você tem uma ligação muito forte com a língua portuguesa. Como ela influencia sua obra?
Eu considero-me um estudante da língua portuguesa. Sempre tive bastante interesse na palavra, muita curiosidade. Estar sempre atento às novas palavras, às novas possibilidades, sempre foi uma influência na minha obra e sempre será. Mas o grande ponto forte da nossa língua é esta coisa que se chama lusofonia. A nossa língua chega a muitas partes do mundo, chega a muitos continentes, e esse é o nosso ponto forte. E a diversidade dos diferentes sabores dessa única língua que é o português é um fator espetacular que acho que deveria ser muito mais celebrado. Os vários sotaques, as várias tonalidades, as várias abordagens que podemos fazer com a nossa língua são grandes pontos fortes.
Sam The Kid
Sam The Kid
A nossa língua chega a muitas partes do mundo, chega a muitos continentes, e esse é o nosso ponto forte.
Sam The Kid
Como o rap pode influenciar positivamente a sociedade?
Se pudermos ir pelo ângulo de que rap é terapia, logo aí já temos uma coisa positiva, porque é terapia para o rapper, que está a desabafar aquilo que intenciona desabafar, e pode ser terapia para o ouvinte, que está passando por algo semelhante e se vê naquela letra. O rap pode ser didático sem ser pregador, o rap pode salvar vidas, quer seja a vida do artista, que pode ter sucesso e ter um emprego ao fazer música, ou de um ouvinte, que pode estar para baixo e ouvir uma música que o levante.
Faz download da app do Red Bull FrancaMente e participa no qualificador português.