Red Bull Basement US National Winners Team Argus are named Microsoft Imagine Cup 2025 World Champions. From left, Dona Sarkar (Microsoft), Daniel Kim and Arjun Oberoi (Argus), Annie Pearl (Microsoft).
© Photo courtesy of Microsoft
Technology

Red Bull Basement: este vencedor pode ajudar pessoas com deficiência visual

Depois de representar os EUA na Final Mundial do Red Bull Basement, a equipa Argus vence a Microsoft Imagine Cup e dá um passo decisivo para aumentar a independência de pessoas com deficiência visual.
Escrito por Adaptado por Red Bull Portugal
5 min readPublished on
Inspirados pelos seus avós, Daniel Kim e Arjun Oberoi começaram a desenvolver a Argus, um dispositivo de apoio visual que auxilia na identificação de objetos, no reconhecimento facial e na navegação, quando ainda frequentavam o primeiro ano da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Dois anos mais tarde, já no terceiro ano do curso, participaram no Red Bull Basement e conquistaram o título nacional entre 15.000 candidatos norte-americanos. A dupla acabou por representar o país na Final Mundial de 2024, em Tóquio, no Japão.
Desde então, deram passos significativos para levar a ideia ao mercado, incluindo a conquista do título de campeões mundiais da Microsoft Imagine Cup, que atribui um prémio monetário de 100.000 dólares. Falámos com Daniel Kim para saber as últimas novidades.

Vamos organizar os acontecimentos cronologicamente e começar pelo Red Bull Basement. Porque é que tu e o Arjun decidiram candidatar-se à edição de 2024?

Daniel Kim: Queríamos encontrar formas de impulsionar a Argus e pareceu-nos uma excelente oportunidade para o fazer. Em parte pela visibilidade, mas também porque estavam envolvidos grandes contadores de histórias e profissionais de marketing com quem poderíamos aprender muito. Além disso, sabíamos que o Red Bull Basement tinha parceiros corporativos incríveis, como a Microsoft e a AMD, e aprendemos imenso, tanto a nível técnico como na forma de comunicar a nossa história.

Foram nomeados vencedores nacionais e seguiram para a Final Mundial. Como foi essa experiência em Tóquio?

Aprendemos coisas incríveis. Os workshops foram extremamente úteis. Num deles, tivemos de criar um business canvas e acabámos por utilizar esse exercício também em competições posteriores. Levámos connosco as competências que desenvolvemos lá. Tornei-me, sem dúvida, um melhor orador, um melhor contador de histórias e alguém mais capaz de pensar em termos de mercado e de pessoas. Foi muito enriquecedor falar com pessoas que dominam profundamente estes temas.

Os fundadores da Argus, Daniel Kim e Arjun Oberoi, comemoram a vitória na final nacional do Red Bull Basement 2024 no MIT Media Lab, Cambridge, EUA

Argus vence a final nacional do Red Bull Basement 2024

© Adam Glanzman/Red Bull Content Pool

Pouco tempo depois, participaste na Microsoft Imagine Cup. Como surgiu essa oportunidade?

O Red Bull Basement foi um grande impulsionador nesse sentido. Em parte porque conhecemos muitas pessoas da Microsoft for Startups e houve muito incentivo da parte delas. Foi uma progressão natural. Conhecemo-nos em Tóquio e disseram-nos que devíamos candidatar-nos à Imagine Cup.

Para além do prémio principal, como avalias a experiência na Microsoft Imagine Cup?

A experiência foi fenomenal. Recebemos aconselhamento técnico e também apoio na forma de comunicar a nossa história, e desenvolvemos o hardware durante a própria competição. Os nossos parceiros e mentores foram extremamente prestáveis. Tivemos várias conversas com a equipa da AMD e, por exemplo, colocaram-nos em contacto com especialistas em câmaras, que nos deram sugestões sobre métodos que queríamos integrar no Argus.

Red Bull Basement US National Winners Daniel Kim and Arjun Oberoi pitch their Argus idea at the 2025 Microsoft Imagine Cup final alongside host Dona Sarkar of Microsoft.

Daniel Kim and Arjun Oberoi pitch Argus at the Microsoft Imagine Cup final

© Photo courtesy of Microsoft

Em que mais tens estado a trabalhar recentemente com a Argus?

Estamos a trabalhar no hardware, garantindo que é cada vez mais fiável, e a expandir o conjunto de funcionalidades com hápticos e outros recursos que vão além da entrada e saída por voz, ajudando a criar uma experiência mais imersiva e consistente. Uma das funcionalidades mais importantes que incorporámos recentemente foram os sensores. Um está apontado diretamente para a frente, para identificar obstáculos como paredes, e outro está inclinado a 45 graus para baixo, para detetar desníveis e quedas. Desta forma, o Argus está constantemente a verificar obstáculos no ambiente.

Parte do prémio da Microsoft Imagine Cup foi de 100.000 dólares. Como pretendem utilizar esse valor?

Isso abre muitas possibilidades. O nosso maior desafio até agora foi o facto de a Argus ter sido desenvolvida em regime de bootstrapping, o que nos permitiu criar apenas cinco dispositivos no total, limitando os testes beta. A partir de agora, acreditamos que conseguiremos produzir o Argus a uma escala maior. O nosso objetivo de curto prazo mais concreto é ter 500 utilizadores beta, o que nos permitirá recolher muitos dados e perceber como podemos integrar novas funcionalidades que tornem o dispositivo mais adequado ao uso diário. Depois disso, quando tivermos um produto final que consideremos pronto para o mercado, iremos explorar diferentes canais de distribuição.

Dedicaste muito tempo e energia à participação em competições, apesar das exigências da vida universitária. Que conselho darias a outras pessoas com ideias inovadoras que hesitam em avançar por falta de tempo?

Diria que nunca saberão se não tentarem. É um cliché, mas é verdade. No nosso caso, bastou uma candidatura ao Red Bull Basement e, de repente, todas estas outras oportunidades surgiram. Nunca imaginámos que isto iria culminar num prémio de 100.000 dólares, em tantas aprendizagens e em conhecer tantas pessoas ao longo do caminho. Nunca se sabe até onde esta bola de neve pode crescer e, quase sempre, há formas de encontrar tempo, se a ideia for realmente importante para nós.

Tudo o que fizemos foi candidatar-nos ao Red Bull Basement e, de repente, todas estas outras coisas aconteceram.
Daniel Kim

Falando em tempo, o dispositivo Argus integra funcionalidades de inteligência artificial. Achas que também utilizam IA no lado do negócio?

Sim, sem dúvida. A IA ajuda bastante nos nossos fluxos de trabalho. Antes passávamos horas em tarefas repetitivas e agora conseguimos delegá-las. É quase como ter um estagiário.

Há mais alguma coisa que gostarias de acrescentar?

Estas experiências e a forma como tive de gerir o meu tempo foram uma grande lição de introspeção, ajudando-me a perceber o que realmente importa para mim. Uma das maiores aprendizagens foi perceber que é essencial construir com empatia no centro de tudo. Além disso, esta jornada enquanto fundador fez-me acreditar ainda mais que a acessibilidade deve ser tratada como um direito humano e não apenas como uma funcionalidade. Era essa a mensagem que queríamos transmitir e acredito que teve um impacto positivo.

Mantém-te a par de todas as novidades do Basement aqui.

Parte desta história

Red Bull Basement

O Red Bull Basement permite à próxima geração de inovadores desenvolver e lançar ideias excepcionais, aceleradas pela tecnologia de IA.

4 Tour Stops
Ver calendário de evento