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Karoq: "Fui à Final Nacional por diversão. Agora tenho expectativas altas"

© Hugo Silva/ Red Bull Content Pool
Escrito por Equipa Redbull.ptPublicado a
A caminho do Brasil para disputar a Final Mundial do Red Bull Player One, Jorge 'Karoq' Silva falou sobre os meses que sucederam a competição nacional e o que espera encontrar em São Paulo.
Antes de vencer a Final Nacional do Red Bull Player One, Jorge 'Karoq' Silva pouco conseguia jogar League of Legends. "Assim que entrei na universidade decidi assumir uma postura diferente e deixei de jogar quase completamente", confessa. Estudante de Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico, Karoq fez uma mudança "drástica" e dedicou-se a 100% aos estudos. Os resultados académicos surgiram, mas faltava algo.
"É difícil, porque na universidade em que estou há alturas do ano em que ando bastante sobrecarregado. Além de ter trabalho para fazer, é stressante. Por vezes queres ter um refúgio no jogo, mas não podes porque o tempo é curto", admite.
Foi neste contexto, entre o primeiro e o segundo ano da universidade, que Karoq, ainda com muito pouco ritmo de jogo, se atirou às qualificatórias do Red Bull Player One. Depois de garantir a presença na Final Nacional, Karoq surpreendeu e venceu o torneio inteiro, batendo Bloom (também conhecido como Tragão) numa final à melhor de cinco de fazer roer as unhas.
Hoje, o Campeão Nacional do Red Bull Player One encontrou o equilíbrio entre estudos e jogo. "Agora tenho uma postura diferente, acho que devemos estar sempre abertos para os passatempos, seja jogos ou outra coisa qualquer. Até é importante ter essas diversões para aliviar o stress", refere.
Mais dentro do jogo do que quando conquistou o título, Karoq parte para o Brasil para representar Portugal na Final Mundial do Red Bull Player One. Agora a encarar a vida académica e competitiva de maneira, o representante português parte confiante. Um dia antes do voo para São Paulo, onde vai encontrar 27 outros jogadores, antevimos a Final Mundial em conversa com Karoq.
Karoq está com os olhos postos no título mundial do Red Bull Player One
Karoq está com os olhos postos no título mundial do Red Bull Player One
Já fizeste as malas?
Sim, já está tudo pronto.
Vais levar alguma coisa especial, para dar sorte?
Não, acho que não. Vou com o coração cheio de esperança, acho que é suficiente.
Como tem sido o teu percurso desde a final do Player One? Tens treinado? Competitivamente, tens feito alguma coisa?
Sim, sim, por acabo tenho... É assim, jogar sempre foi uma paixão, por isso não foi necessariamente jogar para treinar, mas já que me qualifiquei estou a jogar para treinar. E sim, tenho jogado competitivamente numa equipa, os Karma Clan, na Dreamcup, e tenho-me mantido bastante activo. Posso dizer que me sinto bastante pronto e bastante confiante.
E tens jogado muitos 1v1?
Não senti necessidade. Uma coisa que fiz antes da Final Nacional foi jogar 1v1s com amigos que tinha e que achei que fossem capazes de me ajudar nesse aspeto e, sinceramente, achei que jogar o jogo por si só, solo queue, ou até jogos de equipa, era experiência suficiente. Como midlaner acabo por ter uma experiência de 1v1 todos os jogos. Visto que eu tenho uma champion pool mais virada para ADCs, por vezes alterno também entre midlane e ADC.
Fora isso, não tenho treinado 1v1 especificamente porque não acho necessario. Pessoalmente, não sinto necessidade de os jogar. Sinto que é um mundo que não tem muito que se lhe diga. Em termos estratégicos vai direto ao assunto. Em 5 para 5 tens comunicação entre jogadores, uma estratégia completamente diferente, e neste torneio tens uma lane, nem podes ir para os bushes, e os jogos acabam muito rápido. O mais longo que pode ir é 15 minutos, se for aos 100 de farm. Sinto que já tenho uma ideia bastante sólida do que é preciso fazer para ganhar cada jogo. Há jogadores que sentem necessidade de jogar 1v1, mas eu acho que os jogos que já fiz foram suficientes e a única coisa de que preciso é ter as mecânicas no ponto.
Karoq durante a Final Nacional do Red Bull Player One
Karoq durante a Final Nacional do Red Bull Player One
Sabes que adversários vais encontrar na Final Mundial ou vais em tábula rasa?
Vou confiante de que a minha ideia 'hybrid' de como o 1v1 deve ser jogado é a ideia certa. Sim, vi algumas coisas. Vi a Final Mundial do ano passado para ter mais ou menos uma ideia do que esperar. Tenho a certeza de que a meta de Portugal tem as suas particularidades, os jogadores aqui jogam X champions e os jogadores doutros países têm uma ideia diferente. É sempre bom estar pronto e não ser apanhado de surpresa, mas não fiz assim muita pesquisa porque sinto que a minha ideia é a ideia certa. Preparei-me para picks específicas que acho que me possam dar trabalho, mas sei que será muito difícil um jogador me surpreender. Se surpreender será apenas uma vez, porque a minha capacidade de adaptação está bastante elevada. Posso jogar coisas muito diversas.
A meta mudou um bocadinho entre a Final Nacional e a Final Mundial. Adaptaste a tua pool e o teu estilo de jogo de alguma forma?
Em termos de estilo de jogo acho que nada vai mudar drasticamente, mas em termos de champions vai ser definitivamente interessante visto que há um novo sistema de runas e uma champion nova, Senna, que não tenho certeza se estará disponível. Prestei atenção a isso e pensei também no que de diferente podia aparecer lá, que nunca houve antes, como, por exemplo, a nova champion. Pensei de que maneira a Senna se podia infiltrar na meta, como podia implementar as novas runas. Houve bastantes runas a serem alteradas e nerfadas. Fiz a minha pesquisa. Continuo a achar que, em geral, os champions que vão ser jogados não vão variar muito, mas definitivamente há espaço para novas picks, runas. Em estilo de jogo acho que nada de diferente vai acontecer.
Tu foste à Final Nacional com uma postura muito descontraída. Estás a encarar a Final Mundial da mesma maneira?
Para esta Final Mundial tenho mais expectativas do que tinha para a Nacional. Quando fui à Final Nacional foi puramente pela diversão. Como era um mundo de que estava muito inteirado não criei expectativas para mim próprio para não sentir desilusão, apenas diversão. Agora, tendo jogado mais estes últimos meses e tendo em conta os resultados que tive na Final Nacional com tão pouco treino, definitivamente tenho expectativas mais altas para a Final Mundial. Já me informei do formato e tenho confiança de que, se conseguir passar as primeiras três rondas, que vão ser à melhor de um [Bo1], posso ganhar tudo.
Numa melhor de cinco [Bo5], visto que a minha capacidade de adaptação é tão grande, se cometer um erro ou dois tenho sempre oportunidade de me adaptar e melhorar no jogo seguinte, tal como demonstrei na Final Nacional. Perdi um jogo contra o Phoxie, dois contra o Bloom, e consegui sempre dar a volta e conquistar a vitória na série. Para a Final Mundial, em termos de expectativas, estou bastante confiante. A única coisa que me pode impedir de ganhar, na minha opinião, será um erro de nervosismo ou uma falha mecânica, mas numa das primeiras três rondas.
Apostaste alguma coisa com alguém?
Não, não...
Na Final Nacional, fizeste aquele desafio com o Bloom, escolheram ambos o Yasuo para a primeira mão do Bo5. Apostaste alguma coisa com alguém para a Final Mundial?
É assim, por enquanto não. Por enquanto só promessas e palavras de encorajamento, mas estou aberto a apostas e desafios.
Há algum desafio especial que gostasses de fazer lá?
Neste momento não, mas eventualmente poderei pensar num no momento, tal como o jogo do Yasuo contra Yasuo foi uma cena do momento. Tanto eu como o Ivo [Bloom] chegámos à final sem expectativas e decidimos que não havia melhor maneira de a começar do que com Yasuo contra Yasuo.
Karoq quer outro destes na prateleira
Karoq quer outro destes na prateleira
Qual seria o cenário perfeito para ti?
Sendo honesto, imagino um mundo em que saio do Brasil sem qualquer derrota. Uma coisa que reparei sem querer no torneio Red Bull Player One de Portugal foi que acabei com 15 vitórias e três derrotas. Sinto que no Brasil, se as coisas correrem bem, sou capaz de acabar o torneio com 0 derrotas. É óbvio que ganhar é aquele objetivo final, mas se pudesse acabar o torneio com o orgulho de poder dizer que ninguém me conseguiu vencer era mesmo a cereja no topo do bolo.