Vitor Fontes na Final Mundial do Red Bull Dance Your Style 2019, em Paris
Dance

Set The Stage: a viagem de Vítor Fontes na dança

© Little Shao
O vencedor da primeira edição do Red Bull Dance Your Style explica como descobriu a dança e por que é no Hip Hop que se completa enquanto bailarino.
Escrito por Equipa Redbull.ptPublicado a
Com mais de 20 anos a dançar profissionalmente e uma extensa história ligada ao lado académico e cultural das danças urbanas, Vítor Fontes, dancer do norte de Portugal, é o protagonista do primeiro episódio de Set The Stage, rubrica que vai mostrar os melhores movimentos de vários bailarinos portugueses. Em entrevista, o vencedor da primeira edição portuguesa do Red Bull Dance Your Style, revela como começou e onde já o levou a sua viagem pela dança.

De onde surgiu o teu interesse na dança e como começaste a dançar?

A minha ligação à dança e toda a minha experiência e história enquanto profissional de dança desenvolveram-se em completo paralelismo com o projeto pedagógico e artístico All About Dance. Apesar de sempre ter tido interesse pela dança, foi sensivelmente no 12º ano do liceu que comecei a fazer aulas de fitness e a desenvolver interesse por aulas com movimento.
Nessa altura, a street dance em Portugal estava numa fase ainda muito embrionária. O conhecimento técnico e cultural era adquirido em convenções de dança, em workshops, nas conversas com os professores e bailarinos que faziam parte dessa cultura e muitas vezes pela compra de DVDs específicos de determinado estilo de dança.
Profissionalmente, danço há cerca de 20 anos.

Quando começaste a dançar achavas que ias fazer da dança a tua profissão?

Quando estava a terminar a minha licenciatura em desporto e educação física, comecei a investir imenso em formação ligada à dança, nomeadamente ligada à street dance. Foram de certa forma os campeonatos de dança em convenções e todo trabalho técnico e coreográfico inerente a um grupo de competição que me incentivaram a começar a coreografar, a refletir sobre composição em dança e a criar a companhia All About Dance, que foi um laboratório excecionalmente enriquecedor em termos de experimentação e conceptualização de fusões de estilos de dança emergentes do universo da street dance e dança contemporânea.

Quais são os teus estilos preferidos de street dance para ver? E quais preferes dançar?

Em geral gosto de todos os estilos de street dance, pois fiz questão de experimentar todos eles e perceber as suas especificidades a nível de fisicalidade e técnica. O popping e o breaking fascinam-me particularmente.
Para dançar, o Hip Hop é sem dúvida o estilo em que me sinto completo, pois agrada-me a possibilidade de fazer fusões de bases técnicas de danças mais tradicionais com novos padrões de movimento que surgem em diferentes contextos da street dance. A minha pesquisa de movimento insere-se mais no universo artístico que emerge desta exploração das novas fusões de estilos de dança.

Quais consideras terem sido os teus melhores momento na dança?

Os meus melhores momentos relacionados com a dança são sem dúvida a construção da Academia All About Dance, a participação na final mundial do Red Bull Dance Your Style e a digressão mundial com os espetáculos Hu(r)mano e Brother, de Marco da Silva Ferreira.

Como vês o futuro da street dance?

Inevitavelmente, o futuro da street dance passa por uma maior diversificação da sua área de intervenção. O binómio bailarino/atleta será sem dúvida desmistificado com o Breaking nos Jogos Olímpicos.
Por outro lado, o binómio rua/palco está cada vez mais a ser repensado e a street dance está a conceptualizar-se, a redefinir e readaptar as suas fisicalidades e linguagens para públicos cada vez mais conhecedores e interessados em ver estas novas estéticas urbanas.

Qual a tua dica para treinar em casa?

Independentemente do que se pretenda treinar, o fundamental é ser consistente no processo de treino e não esperar pela motivação. Podem inspirar-se em vídeos para treinar coisas novas e utilizar este novo tempo de espera para reinventar padrões de movimento e solidificar técnicas.