Letícia Bufoni
Skateboarding

'Quero ser um exemplo para as meninas', diz Letícia Bufoni

© Atiba Jefferson/Red Bull Content Pool
A skater brasileira fala sobre o momento do skate feminino e o legado que quer deixar.
Escrito por Thiago Barrella, Adaptado por Equipa Redbull.ptPublicado a
Nascida em 1993, Leticia Bufoni ainda é uma jovem skater. Mas é uma atleta que tem a segurança típica de quem sabe o que quer. Entende a sua importância para o skate feminino, principalmente no Brasil, mas quer mais. Neste bate-papo, a maior medalhista dos X Games fala um pouco sobre as meninas que estão a entrar no desporto e o que sonha para o futuro, o seu e o do desporto.
Aproveita e conhece o skatepark privado que Letícia Bufoni construiu no quintal de casa:
O que achas que é preciso para o skate feminino ganhar ainda mais força?
O skate feminino cresceu e mudou muito nos últimos anos. É bizarro o quanto cresceu. No ranking mundial [street], três das quatro primeiras são brasileiras. O skate feminino brasileiro está realmente muito forte em performance. Mas a gente precisa de um pouco mais de apoio. Eu não posso reclamar, tenho excelentes parceiros e patrocinadores que me ajudam, então sou uma das sortudas. Falando mais pelas outras, eu vejo muitas meninas que andam muito e não têm apoio, são poucos eventos. Falta visibilidade mesmo, porque as meninas andam muito, qualidade não falta.
Várias meninas andam muito e não têm apoio, são poucos eventos. Falta visibilidade, não qualidade
E por que achas que isso acontece?
Hoje em dia você tem YouTube, Instagram, Twitter... Você vê todos os vídeos e manobras em tempo real, a qualquer momento. Quando eu comecei não tinha isso. Depois de meses que eu comecei a andar, ganhei um DVD que tinha meninas andando de skate. Então antes de seis meses andando eu não sabia que meninas podiam andar de skate. Era muito mais difícil. Hoje em dia com todo esse acesso que temos de redes sociais, as meninas estão evoluindo muito rápido e está muito bonito ver o cenário do skate brasileiro.
Leticia Bufoni no Pink Motel, no Colorado
Leticia Bufoni no Pink Motel, no Colorado
E com toda a história que já tens, que tipo de legado queres deixar?
Eu não fui a primeira mulher do skate brasileiro a aparecer. Tinha várias mulheres antes de mim, mas até me aposentar, daqui a uns 15 ou 20 anos - porque sou muito nova, né? [risos] - quero que as minas olhem pra mim e vejam que é possível seguir seus sonhos e realizar cada um deles. É isso que sempre quis deixar de legado. Você olhar pra uma menina e falar "Nossa, que legal, essa menina anda de skate, é profissional e eu também posso". Não só no skate, mas em qualquer desporto. E foi algo que eu não tive quando comecei. Eu não tive uma menina em quem eu pude me espelhar para querer ser igual. Então o meu maior desejo é poder ser exemplo para as meninas.
E há alguma menina que está a chegar agora em que vejas semelhanças contigo no início da carreira?
A Rayssa Leal, a Fadinha. O jeito que ela chegou nas competições, o jeito que ela apareceu, me lembra um pouco como eu cheguei nos X Games, em 2007. Ela com certeza tem um futuro brilhante e é muito nova ainda. É bizarro como as meninas e os meninos de hoje em dia já começam andando num nível muito avançado.
Leticia Bufoni
Leticia Bufoni
Nunca pensas em parar de andar de skate?
Skate faz parte da minha vida há muitos anos e é até difícil de descrever o que representa. É uma paixão que eu não consigo imaginar algum dia parar. Quando eu me machuco é super difícil ficar sem andar e competir. [Enfática] Eu vou andar a vida toda, sim! Mesmo bem velha, eu quero pelo menos andar de longboard na praia. Eu fico até pensando: na hora de ter filho, como vou ficar um ano sem andar? Vai ser bem difícil. A ideia é competir por muitos anos, até não conseguir mais. Mas skate é para o resto da vida!
O que esperas para 2021?
Eu espero que tudo volte ao normal, que tudo isso acabe. Quero muito que as competições e treinos voltem e ir pra Tóquio. Estamos há alguns anos correndo atrás desse sonho, trabalhando muito e competindo pra poder representar o Brasil. Não aguento mais esperar. Tô super ansiosa, e chegar lá representando o Brasil vai ser um grande sonho realizado. Quero trazer a medalha pra cá, mas meu foco primeiro é chegar lá.
+ Vê como Leticia decidiu tornar-se skater neste episódio da série Until 18
Skateboarding · 5 min
Leticia Bufoni