Skateboarding

'Não haveria skate feminino sem Cara-Beth Burnside'

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A pioneira que lutou pelos direitos das mulheres e brilhou também na neve
Escrito por Marcos Hiroshi, Adaptado por Equipa Redbull.ptPublicado a
"Era um tipo de desporto meio rebelde e foi isso que eu curti". A declaração é de Cara-Beth Burnside, californiana nascida em 1968 que aos 10 anos conheceu o instrumento de trabalho com o qual, anos depois, se viria a tornar lendária.
Basta um episódio para perceberes a dimensão de quem estamos a falar. Em 1989, tornou-se a primeira mulher a atingir o marco de aparecer na revista "Thrasher", uma espécie de Bíblia do skate. "Não existia muita exposição para as meninas, então sair na capa foi incrível."
Cara-Beth Burnside na capa da Thrasher Magazine de agosto de 1989
Cara-Beth Burnside na capa da Thrasher Magazine de agosto de 1989
Cerca de dez anos depois de ser capa da Thrasher, Cara-Beth entrou novamente para história quando se tornou a primeira mulher a ter um modelo de ténis de assinatura (CB Line, da Vans). Na altura, os patrocínios para mulheres eram raros.
Não haveria skate feminino sem a CB
Lyn-Z Adams Hawkins, tricampeã de vert dos X Games
"Eu era obcecada em tornar-me boa, mas nos [anos] 80 não existiam campeonatos para mulheres, então eu competia como amadora, com todos os homens", relembra Cara-Beth. No fim dos anos 90 e início dos 2000, com a inclusão da categoria feminina nos campeonatos, ela começou a dominar o cenário, vencendo competições como os X Games, a Vans Triple Crown e o All Girls Skate Jam.
Cara-Beth Burnside nos X Games. Feeble to fakie
Cara-Beth Burnside nos X Games. Feeble to fakie
Apesar de ser uma referência no skate, CB não conseguia ter os mesmos benefícios dos homens. Foi noutra modalidade que encontrou a motivação para viver o sonho. "Foi quando eu conheci o snowboard. Ali as mulheres ganhavam dinheiro como profissionais e viajavam pelo mundo, que era o que eu queria fazer com o skate. E eu pensei que essa podia ser uma forma de ser paga para poder andar de skate". Foi com este 'mindset'm que se atirou de cabeça para o snowboard, no qual conseguiu evoluir rápido graças à sua experiência no skate. Acabou a representar a equipa dos EUA nos Jogos de Nagano, em 1998, onde terminou num incrível quarto lugar após uma disputa épica. "Eu ainda fico louca por não ter conseguido subir ao pódio", lembra.
Dividindo-se entre as duas modalidades, CB tornou-se a única mulher na história dos X Games a conquistar medalhas de ouro em skate e snowboard. Além dela, apenas Shaun White, também californiano e também ele uma lenda em ambos os desportos, realizou a mesma proeza.
Para realizar o seu sonho de tornar o skate mais inclusivo e profissional para as mulheres, Cara-Bth fundou a Action Sports Alliance em 2005, organização sem fins lucrativos criada com o intuito de melhorar as oportunidades profissionais para jovens mulheres no desporto. A luta da ONG foi determinante para que, em 2009, os X Game igualassem ps prémios masculinos e femininos, algo que acabou por ser seguido por outras competições.
Cara-Beth Burnside, com um invert em 1989
Cara-Beth Burnside, com um invert em 1989
"Eu só quero fazer coisas boas acontecer", diz CB. "Se eu puder ser a força por trás de outras meninas para estas chegarem onde precisam de estar isso faz-me sentir muito bem". Com uma carreira recheada de vitórias e conquistas, dentro e fora do skate, CB é só por si uma inspiração para muitas mulheres no ativo.
"Ela é como uma fundadora. Abriu o caminho para todas as mulheres e tem-se esforçado a cada ano para fazer as coisas funcionarem para nós e continuar a ajudar o desporto a crescer", sublinha Lyn-Z Adams Hawkins, lenda do skate vertical feminino.
Cara-Beth Burnside - Lien Air Over the Hip
Cara-Beth Burnside - Lien Air Over the Hip
"CB segurou a cena por muito tempo numa época em que não acontecia nada para as mulheres. Ela é uma lenda", considera Nicole Hause, skater profissional e integrante da equipa americana de skate.
Cara-Beth também ajudou a criar a marca feminina Hoopla Skateboards, que tem na sua equipa alguma das melhores skaters da atualidade. Atualmente, a americana mora em Oceanside, California, com a sua família e animais de estimação (adora treinar o seu cavalo), e continua a ser uma porta-voz das atletas femininas no desporto. A paixão pelo snowboard e pelo skate mantêm-se viva, inspirando ainda hoje novas gerações do skate.
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