Lenda Walter Rohrl ao volante do Audi Quattro S1 E2
© Audi
Rally

Os 5 melhores Grupo B da história do WRC

Mais de 30 anos depois da última temporada de Grupo B no WRC, olhamos para as máquinas mais icónicas da era mais icónica do rali.
Escrito por Equipa Redbull.pt
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Já lá vão mais de três décadas desde que os gloriosos carros do Grupo B voaram pelo WRC. Para muitos fãs de rali, a era do Grupo B ainda representa o auge do Campeonato do Mundo de Rali: um período de quatro anos, de 1982 a 1986, em que os carros podiam ter quantidades ilimitadas de potência (ou, como diria um certo apresentador de programas de automobilismo, POWEEEEEEEEER) e que esteve perto de rivalizar com a Fórmula 1 em popularidade.
Porém, com máquinas afinadas para lá dos 600 cv e controlo de multidões praticamente não existente, o destino não se augurava promissor para os Grupo B. Quando o piloto finlandês Henri Toivonen teve um acidente fatal no Tour de Corse de 1986, a categoria chegou ao fim.
Apesar disso, a lenda desses monstros do rali vive através da memória coletiva dos fãs que experienciaram a era. Para os celebrar, escolhemos cinco dos nossos carros do Grupo B favoritos.

1. Audi Quattro

Lenda Walter Rohrl ao volante do Audi Quattro S1 E2

Walter Röhrl no Audi Quattro S1 E2

© Audi

Melhor momento: Hannu Mikkola e Stig Blomqvist vencem títulos de Pilotos consecutivos ao volante de Quattros em 1983 e 1984.
Pior momento: Audi toma decisão de se afastar do Grupo B imediatamente a seguir a um acidente fatal no Rali de Portugal de 1986.
Porque está aqui: Sem rodeios, o Quattro é o carro de rali mais importante da história
Ao longo dos anos tem havido muitos carros disruptivos no rali, mas nada à escala do Audi Quattro. Inicialmente, os construtores do WRC resistiam à ideia de adotar um sistema de tração às quatro rodas nos seus carros por pensarem que o peso extra e a complexidade dos sistemas cancelaria quaisquer vantagens. Quando o Quattro original, não-Grupo B, se estreou em 1980, imediatamente mostrou que o caminho a seguir era o da tração às quatro.
A fórmula foi refinada quando a Audi lançou versões Grupo B do carro: primeiro o A1, depois o A2 e depois o feroz Sport Quattro. As potências foram gradualmente subindo e, em 1986, estavam reportadas em 599 cavalos. A planta para os carros de rali modernos estava lançada.
O que deixa os fãs de rali mesmo quentinhos na barriga, no entanto, é a visão das asas gigantescas do Quatro S1 E2 e aquele som primordial do motor de cinco cilindros no máximo. É o céu.
Vê a lenda Walter Röhrl ao volante do Audi Quattro S1 no Rali de Portugal de 1985:

2. Lancia Delta S4

Henri Toivonen ao volante do Lancia Delta S4 no Rallye Monte-Carlo de 1986.

Henri Toivonen ao volante do Lancia Delta S4

© McKlein Image Database

Melhor momento: Henri Toivonen vence na estreia do carro, no Lombard RAC Rally de 1985
Pior momento: O acidente fatal de Toivonen no Tour de Corse de 1986
Porque o escolhemos: O Delta S4 é a personificação da força bruta dos Grupo B
Quando a Lancia lançou o seu primeiro Grupo B, o belo 037 Coupé, foi amor à primeira vista para os fãs de Rali. Em 1985, a máquina de tração traseira começava a vacilar contra os seus rivais de 4x4. A Lancia precisava de algo mágico, algo feroz. Algo como o Delta S4. Henri Toivonen demonstrou bem a capacidade da nova máquina da Lância ao vencer os primeiros dois eventos do carro, o Rali do País de Gales, em 1985, e o Rali de Monte-Carlo, em 1986.
No Tour de Corse de 1986, Toivonen perdeu o controlo do S4 de 557 cavalos num apertado 'hairpin' para a esquerda e caiu numa ravina. O carro incendiou-se após o impacto e Toivonen, juntamente com o seu co-piloto Sergio Cresto, morreram no local. O acidente levou ao fim do Grupo B, com a FIA, entidade reguladora do desporto, a determinar que os regulamentos seriam alterados no final da temporada de 1986. Após a morte de Toivonen, o S4 venceu mais três corridas. O seu sucessor, o Delta Grupo A-spec, viria a tornar-se o carro de rali mais bem sucedido de sempre.
Vê um protótipo do Delta S4 a ser testado em 1984:

3. Peugeot 205 T16

Ari Vatanen posa com o seu Peugeot 205 T16 no Rali de França de 1984

Ari Vatanen com o seu Peugeot 205 T16

© Peugeot

Melhor momento: Conquista de dois títulos consecutivos de Construtores e Pilotos, com Timo Salonen e Juha Kankkunen, em 1985 e 1986
Pior momento: O acidente que destruiu a carreira de Ari Vatanen, no Rali da Argentina de 1985
Porque o escolhemos: O pequeno Peugeot era o carro dominante do final da era do Grupo B
Quando o Peugeot 2015 T16 chegou ao Campeonato do Mundo de Rali a meio da temporada de 1984 tornou-se imediatamente o carro do Grupo B a bater. O caminho de sucesso do carro começou com uma vitória na primeiríssima especial em que participou, no Tour de Corse de 84. Daí em diante, com pilotos lendários como Ari Vatanen, Michèle Mouton e Juha Kankkunen ao volante, o 205 T16 viria a conquistar os campeonatos de 1985 e 1986, vencendo 16 rondas (de 37) entre 84 e 86. O Peugeot 205 T16 é o carro mais bem sucedido dos últimos dois anos de Grupo B, a verdadeira superpotência do WRC dos anos 80.
Desfruta do som e da velocidade do Peugeot 205 T16:

4. Ford Escort RS200

O RS200 foi, tipo, um monstro...

O RS200 foi, tipo, um monstro...

© Ford

Melhor momento: Pódio de Kalle Grundel no Rali da Suécia de 1986, na estreia do RS200 no WRC
Pior momento: Um evento depois, no Rali de Portugal, um RS200 privado esteve envolvido num acidente fatal com espectadores
Porque o escolhemos: O RS200 tem uma das formas clássicas do Grupo B. Por ser Ford, é o Grupo B do trabalhador.
Depois de ter tentado encontrar sucesso no Grupo B com o Escort RS1700T, de tração traseira, em 1983, a Ford apresentou o RS200, um carro 4x4 desenvolvido para competir em ralis, no final de 1985. Com um chassis de fibra de vibro feito pela Reliant (de fama Reliant Robin) e um motor que podia debitar mais de 400 cv quando preparado para corrida, o RS200 viu-se abaixo dos adversários no que dizia respeito a potência (algo que ficava acentuado devido ao lag crónico do turbocompressor em baixas rotações). Apesar disso, o seu design icónico e posterior sucesso em rallycross fazem do RS200 um dos heróis do Grupo B, mesmo que nunca tenha conseguido mostrar o seu verdadeiro potencial.
Vê o atual dono da M-Sport, Malcolm Wilson, a competir no Rally Lindisfarne de 1985 ao volante de um RS200:

5. MG Metro 6R4

O Metro 6R4.

O 6R4 foi uma estrela improvável

© British Leyland

Melhor momento: O pódio de Tony Pond no Lombard RAC Rally de 1985, evento de estreia do carro
Pior momento: O grupo B chegou ao fim apenas seis meses após a primeira competição do 6R4
Porque o escolhemos: O pequeno 6R4 é um dos mais amados por fanáticos do Grupo B
O pequeno, louco MG Metro 6R4 da Austin Rover chegou tarde à festa do Grupo B. Desenvolvido pela equipa de F1 da Williams, o 6R4 ostentava um motor V6 de 2.9 litros, sem turbo, que debitava 415 cavalos, que mais tarde ganhou um lar no Jaguar XJ220, já com turbos. Apesar de ser ridiculamente difícil de conduzir devido ao seu tamanho e de sofrer de sérios problemas de fiabilidade, o pequeno Metro conseguiu ganhar um lugar nos corações dos fãs de rali na sua curta carreira.
Vê Kris Meeke a levar o Metro 6R4 ao limite nas ruas de Donegal: