Treinar para maratonas de corrida, competições de ciclismo ou mesmo quem se apaixonou pelo cross training e não fica um dia sequer longe dos treinos, sabe bem que sobra determinação, mas às vezes o corpo reclama. Como ninguém quer ganhar uma lesão por overtraining, adotar treinos restaurativos é tão importante quanto o cronograma de exercícios da semana – seja você um atleta amador ou alguém que se desafia treinando pesado durante a semana.
Na fisioterapia esportiva, como explica Raul Traete, da UNIFESP e sócio da Clínica Kinex de Fisioterapia Esportiva (SP), o conceito se divide em duas abordagens: a passiva, chamada de recovery, e que relaxa a musculatura para se preparar para o próximo treino usando diferentes técnicas como criocompressão, eletroterapia e liberação miofascial profunda. “Já o treino regenerativo ativo, consiste em um treino leve ou chamado repouso ativo. Nele onde o atleta muda a movimentação esportiva a fim de estimular as fibras musculares, mas sem estressar os tecidos da mesma forma que já foram sofreram durante os exercícios pesados anteriores”.
O treino regenerativo ativo consiste em um treino leve ou chamado repouso ativo.
Mas e a regra de descansar ao menos dois dias na semana? “Cada indivíduo tem objetivos e necessidades diferentes. Nem todo dia seguinte a um treino pesado precisa ser seguido de ‘day off’. Com o músculo sendo regenerado diariamente, da forma correta, isso deixa de ser uma regra, além de diminuir dores tardias pós treino”, reforça André Trombini, Master Trainer da Bodytech (SP).
Como colocar o conceito em prática?
Treino pesado hoje, amanhã prefira exercícios cardiovasculares para um estímulo metabólico e de soltura muscular ou aqueles que usem apenas o peso do próprio corpo. “Uma boa referência é pensar que se treinei a 85% do meu máximo, o dia seguinte deve ser mais leve, evitando estimular o mesmo grupo muscular e sim outras regiões do corpo a cerca de 50 a 60% do meu máximo”, diz André.
O especialista indica fazer alongamentos dinâmicos e exercícios de liberação miofascial com o rolo de espuma antes ou depois do treino – um dia você pode fazer antes, no seguinte, finaliza com eles. “Normalmente, divido entre exercícios restaurativos corretivos e educativos, que melhoram a estabilização, a mobilidade e flexibilidade, e por por consequência estimulam a recuperação das fibras musculares”.
Confira essa sequência e inclua já no treino:
Mobilidade dos membros inferiores
De um passo à frente com o pé direito e flexione o tronco de forma que fique paralelo ao chão e leve os braços para trás. Desça os braços em direção aos pés e vá levantando o tronco lentamente para uma postura ereta. Quando os braços estiverem esticados em direção ao teto, dê um passo com a perna esquerda à frente e comece a concentrar sua força em projetar o quadril para frente. Repita o movimento por 30 segundos, sem parar.
Rotação de tronco, mobilidade peitoral e ombros
Deitado de costas para o chão e flexione os joelhos na lateral do corpo de maneira que forme 90 graus. Braços esticados à frente do corpo, seguindo a linha dos ombros. Para iniciantes, vale uma almofada ou rolo entre os joelhos para facilitar o movimento. Mantenha os membros inferiores fixos ao chão enquanto abre o peitoral, levando o braço de cima para o lado oposto. O desafio é girar o tronco sem mover o quadril ou pernas do chão.
Liberação miofascial para mobilidade torácica
Liberação miofascial de glúteos, posteriores e anteriores de coxa