Ao longo da história, dançarinos sempre vestiram figurinos que apresentavam um delicado equilíbrio entre expressão artística e conforto para mostrar suas habilidades. Alguns elementos dessas roupas, como os tutus do balé, chegaram a influenciar a moda fora do universo da dança, mas nenhum estilo tão claramente quanto a dança de rua.
Com a ascensão da cultura hip-hop nos anos 70, seus quatro elementos – breaking, escrita (grafite), MCing (rap) e DJing – fora para as ruas e influenciaram a cultura pop de uma maneira inédita, tornando-se uma potência da música, dança, arte e, claro, da moda. Roupas usadas por B-Boys e B-Girls passaram a ser um convite para qualquer pessoa em busca de originalidade e de uma nova forma de se expressar.
Naquele período, nada era mais cool do que as riscas da Adidas e chapéus da Kangol. "Nós crescemos vendo o breaking rolar em nosso bairro no Brooklyn e colava todo tipo de gente nas jams", lembra o rapper Billy Danze, metade do lendário duo M.O.P. "Até o LL Cool J vinha, e essa galera também usava luvas, camisas com seus nomes grafitados e óculos sem lentes. Os caras eram lendas!"
Conhecidos como poppers e lockers, esses dançarinos inovavam não só nos movimentos, mas também nas roupas. As suas influências conjuntas de mímica, disco, hip-hop e cultura de rua resultavam numa aparência marcante, com uma personalidade aguçada e um estilo espalhafatoso. Eles usavam de tudo, desde meias listradas, camisas coloridas de cetim e blusões até colares grandes, calças largas e enormes chapéus Apple Boy.
Outros dois gêneros de dança de rua que também influenciaram diretamente o mundo da moda além da cena foram o voguing e o waacking, ambos nascidos dentro da comunidade LGBTQ norte-americana nos anos 60. Plataformas, perucas, couro, renda, látex... Nada era exagero para os voguers e waackers. Tanto que, até hoje, suas batalhas não se restringem às poses trabalhadas, acrobacias insanas e desfiles exagerados: o look também conta na avaliação dos jurados e quanto mais escandaloso melhor.
O início dos anos 2000 representou um regresso à velha guarda. "Na época, as pessoas não estavam muito preocupadas com seus visuais de B-Boy e B-Girl", relembra a B-Girl Jeskilz. "O que se usava muito eram roupas da Tribal Gear, principal marca na cena."
Foi quando Jeskilz e suas parceiras da crew Rock Steady resistiram à tentação de usar o que todo mundo estava usando e resgataram alguns elementos clássicos do guarda-roupa da cultura hip-hop. "Começou uma nova onda e as pessoas voltaram a usar sneakers da Puma com cadarços largos e bonés grandes de novo", orgulha-se Jeskilz, influência direta desse renascimento.
Por falar em sneakers, os sneakerheads também deve muito ao hip-hop. Foi em uma dissertação escrita em 1991 para a revista de hip-hop The Source que Bobbito Garcia, membro da Rock Steady Crew, documentou a cultura sneaker pela primeira vez. Hoje em dia, ele segue contribuindo para a cena por meio de customizações incríveis, além de ser considerado um dos maiores DJs de hip-hop da história.
Atualmente, a dança de rua está cada vez mais em evidência, resultando em dançarinos ficando famosos e ganhando o apoios de patrocinadores. Por isso, muitos breakers começaram a exibir logos corporativos em suas roupas ou passaram a desenhar suas próprias linhas. "Nos últimos anos, sinto que muitos B-Boys e B-Girls realmente começaram suas próprias marcas e ficaram mais conscientes acerca do investimento na nossa comunidade em vez de optarem sempre por usar Nike ou Adidas", explica Jeskilz.
Mas seja utilizando marcas clássicas, prestando homenagem à velha guarda ou ainda ostentando acessórios Gucci e Yeezy, a coisa mais importante e comum a todos os estilos de dança de rua é a expressão individual. Deixar a dança guiar seus extintos é o segredo para ter um estilo sempre impecável.
+ Que tal conhecer mais a história do breaking? Assista abaixo a "Breaking the Beat: in the Bronx" (se preferir, ative as legendas).
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