Gris é uma das mais belas experiências em games de 2018
© Nomada Studio
Gaming

Gris é a mais bela experiência audiovisual de 2018

Gris, da Nomada Studios, é uma das mais belas experiências dos videogames de 2018, e explicamos porque vale a pena explorar sua linda narrativa
Escrito por Jeancarlos Mota
7 min de leituraPublished on
Uma das melhores coisas que sentimos ao por as mãos em um novo jogo é a forma com que ele nos envolve. Seja pela diversão proporcionada, seu roteiro envolvente, música empolgante ou seus belos gráficos, cada título tem uma maneira de nos manter com as mãos nos controles. Melhor ainda é quando todos esses motivos encontram-se em uma única obra, o que torna a experiência de jogar ainda mais gratificante. Pois bem, Gris consegue unir tudo isso de uma forma simples e inesquecível.
O novo título da desenvolvedora indie Nomada Studios - situada em Barcelona e fundada por dois ex-desenvolvedores da Square Enix e Ubisoft, Adrian Cuevas e Roger Mendoza, além do artista, ilustrador e pintor, Conrad Roset - demonstra um talento único para todas as características citadas anteriormente. Todavia, fica claro, logo nos primeiros minutos de jogo, que o aspecto artístico é o ponto forte da obra, como deixado claro em nossa entrevista exclusiva sobre o desenvolvimento e o que podíamos esperar do jogo.
Basicamente, gostamos de muitos jogos como Journey e Ori [e o Blind Forest], esses tipos de jogos que têm diferentes estilos de arte. Então, com o Conrad na equipe, que tem um estilo de arte tão poderoso, decidimos nos concentrar muito nisso, na música e em ter uma história sutil
Adrian Cuevas, co-fundador e diretor técnico da Nomada Studio
Por isso, confira o resultado de termos destrinchado o game, para explicar porque você já deveria estar com as mãos nele.

História e exploração

Gris é uma jovem garota, antes esperançosa, que se perde em seu próprio mundo ao encarar uma experiência dolorosa de perda. Devido a tamanho acontecimento, as cores ao seu redor somem e apenas lhe resta o vazio de uma existência desbotada, na medida em que a alegria e conforto que a rodeavam se desmoronam. Cabe a você ajudá-la a recuperar as cores de sua vida e livrá-la de um esquecimento monocromático.
Para tanto, será necessário desbravar os cenários do jogo em busca de um caminho para redenção. Gris é um game de plataforma e puzzle com bastante exploração e a forma com que ele nos conduz pelos caminhos em busca das cores é simples, contudo não ache que isso tira o brilho do game. Semelhante a outros jogos, como Flower ou Journey, a progressão aqui pode até ser um tanto linear, contudo acreditamos que isso é proposital e muito bem utilizado.
Gris não carece de instruções ou diálogos. Apesar deles não existirem, tudo é bastante intuitivo e seus poucos comandos ajudam a entender como progredir, tanto nos novos ambientes como em seus quebra-cabeças. O mais interessante é perceber que você evolui junto com a personagem e o ambiente ao seu redor. A cada cor recuperada, novos elementos do jogo são liberados, o que aumenta levemente a forma e complexibilidade da exploração e puzzles. Basicamente, se Gris fosse um RPG (o que, claramente, não é o caso), não apenas a protagonista como todo o jogo evoluísse na medida em que você progride. Daí, cabe a nós mesmos utilizarmos das novidades liberadas pelas cores para entender como progredir e superar seus desafios.
O mesmo pode ser dito de seus chefões. Gris enfrenta inimigos que têm como objetivo deter seu progresso (não vamos entrar em detalhes, para evitar spoliers). Cada um deles age como se fosse uma combinação de boss e puzzle, onde é preciso entender a melhor forma de evitá-los ou de escapar deles para poder prosseguir. Por mais que não haja uma forma de morrer no jogo, nem mesmo uma quantidade limitada de vidas - o que pode soar como um limitador de desafio -, nenhum desses detalhes tira o brilho da obra e nem muito menos faz desses encontros algo fácil. Na verdade, todos os encontros com outros personagens, chefões ou não, sempre têm o mesmo efeito dos demais elementos apresentados no decorrer da aventura: trazer surpresa e ajudar ao mundo de Gris ficar cada vez mais completo e interessante até o final de sua jornada.
Talvez alguns jogadores possam até sentir falta de algo mais punitivo em Gris, todavia o objetivo do game é entregue. Gris termina com apenas um único defeito: o amargo gosto de "quero mais" que sentimos ao terminar sua história. Todavia, os "complecionistas" de platão perceberão ao final da jornada que muito ainda pode ser feito. Tem até uma cutscene secreta para os que voltarem a desbravar o mundo por completo…

A inesquecível experiência audiovisual de Gris

“Queríamos fazer algo diferente e Conrad também queria fazer algo mais artístico”, explicou Adrian sobre as origens do jogo em nossa última entrevista. “Basicamente, gostamos de muitos jogos como Journey e Ori [e o Blind Forest], esses tipos de jogos que têm diferentes estilos de arte. Então, com o Conrad na equipe, que tem um estilo de arte tão poderoso, decidimos nos concentrar muito nisso, na música e em ter uma história sutil”.
A única certeza que temos é eles conseguiram o que queriam. Ou até bem mais. Gris é uma pintura viva em forma de jogo. Sua arte desenhada à mão é um show à parte (seja na tv ou versão portátil da tela do Switch ou no monitor de seu computador) e combina perfeitamente com sua trilha sonora - outro espetáculo por si só. Se você ainda não teve a oportunidade de ouvi-la, confira logo abaixo.
O resultado deste trabalho foi algo único. Gris faz com que cada cor recuperada apresente uma nova tela, um novo espetáculo artístico que toma toda a tela, inclusive ao iniciar a aventura, mesmo na ausência de cores. Podemos dizer o mesmo da movimentação de personagens e animação do ambiente. E cada vez que um novo elemento é conquistado, liberado ou até destruído, nos perdemos e divagamos se esse realmente era um jogo ou uma animação que assistíamos a cada parte de exploração revelada. É realmente gratificante lembrar que estávamos com o controle de Gris em nossas mãos.
A obra também emociona. O mix de sentimentos é sempre lembrado em suas temáticas, cores e trilha sonora. Os momentos tristes, tensos ou reveladores contam com animações e músicas que criam tensão ou tristeza. Já os de conquista ou descoberta trazem animações mais alegres, como quando você encontra um pequeno amigo na floresta, que foge, desconfiado, mas que acaba por lhe ajudar após entender que Gris é digna de confiança (novamente, não vamos entrar em detalhes para evitar estragar a experiência do game).
Enfrentar a dualidade de sentimentos é uma constante em Gris

Enfrentar a dualidade de sentimentos é uma constante em Gris

© Nomada Studios

O mesmo acontece com a presença das cores, onde a melancolia do mundo preto e branco transforma-se em calor, em meio ao deserto vermelho, ao recuperar tal tonalidade, o que logo é abrandado pelo verde das florestas, ao avançar um pouco mais na história. Contudo, a presença de cores mais escuras lembram problemas e ameaças, o que é remetido pela capa/vestimenta da protagonista ou a cor e movimentação das maiores ameaças do jogo - que lembram uma espécie de piche. O trabalho artístico em Gris é algo que vai além de completar o jogo, deve ser apreciado.
Gris é uma linda experiência, quiçá a melhor experiência audiovisual de 2018 em um game. E já está disponível para Nintendo Switch e PC, e nós estamos simplesmente apaixonados por ele.
Nosso Gameplay de Gris foi realizado com uma cópia gentilmente cedida pela Devolver Digital para Nintendo Switch, e também na versão para PC, jogada no Notebook Avell Titanium G1555 Series, equipado com a GeForce GTX 1060 (6GB).
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