Quem vê o campeão olímpico Ricardo Lucarelli empilhando troféus conquistados nas quadras de vôlei talvez não faça ideia de que a modalidade foi uma espécie de achado na sua vida. Até pelo menos os 11 anos, o mineiro nascido em Contagem queria mesmo era ser jogador de futebol (quem não sonhou?).
"Eu era uma criança muito agitada. Minha mãe chegou a perder 3 quilos em dois dias só de correr atrás de mim. Meus pais me colocaram aos 7 anos numa escolinha de futebol e eu me divertia jogando. Mas tinha um problema: eu era perna de pau. Jogava na defesa, zagueiro ou goleiro, mas não era bom", diz o ponteiro, 29 anos.
Além do futebol, Lucarelli praticava também natação, basquete e handebol. Mas tudo isso ficou pra trás no dia em que ele foi acompanhar um treino de vôlei de sua irmã Rafaelli. "Lembro que no fim da atividade eu peguei a bola e dei um saque forte para o outro lado da quadra. Minha irmã e as amigas dela me olharam surpresas. Descobri naquele momento que conseguia sacar", lembra.
Um saque despretensioso fez Lucarelli descobrir que podia vingar no vôlei
© Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool
A brincadeira ficou um pouco mais séria quando, em 2005, Lucarelli foi descoberto por um técnico do Méritos, equipe amadora de Contagem, durante bate-bola com amigos. "Cheguei pra treinar no Méritos ainda muito cru, não tinha os fundamentos refinados. Mas fui melhorando com o tempo". E como melhorou. Tanto que, em 2008, recebeu proposta pra jogar na categoria infantil do Minas Tênis.
Eu era a sexta opção de ponteiro no Minas. Dois anos depois, estava treinando na seleção
Luca ficou dois anos disputando torneios de base até ser chamado pela primeira vez para subir ao time profissional, em 2010. Em 2011, virou titular da equipe e, um ano mais tarde, foi convocado por Bernardinho, tornando-se, aos 19 anos, no atleta mais novo a defender a seleção brasileira adulta.
"Quando subi no Minas, eu era apenas a sexta opção entre os ponteiros. E os técnicos geralmente levam quatro ponteiros para cada partida. Dois anos depois, eu estava treinando com os meus ídolos na seleção", diz Lucarelli, lembrando a rápida ascensão.
A primeira experiência olímpica aconteceu em 2012, mas não na quadra. Como prêmio pelo seu desempenho nos treinos da seleção, o ponteiro foi chamado por Bernardinho, então técnico do time, pra acompanhar a delegação em Londres. O Brasil perdeu a final pra Rússia por 3 a 2. "Tivemos três match points, mas não botamos a bola no chão. Mesmo com a derrota, o time foi gigante", conta.
Em 2016, no Rio de Janeiro, Lucarelli foi titular e peça-chave na conquista do bicampeonato - o primeiro foi 24 anos antes, em 1992 -, recebendo o prêmio de melhor ponta da competição. "Foi muito especial ganhar em casa, diante da nossa torcida. Esse é, sem dúvida, o título mais especial que tenho", afirma.
Parlando italiano
Depois de dez anos de vôlei brasileiro, Lucarelli decidiu que era chegada a hora de explorar novas ligas. Em julho de 2020, ele assinou com o Trentino Volley, da Itália.
"Estou muito bem na Itália. Aqui, você está jogando sempre em alto nível. A exigência é alta, e não é só nos jogos. Os treinos também são intensos, porque os seus companheiros de time são muito bons, jogam em suas seleções", conta.
A boa fase de Lucarelli na nova casa tem também ligação direta com o paladar. Fã de massas, ele tem aproveitado ao máximo a famosa culinária local, sobretudo as pizzas. "Como muito bem na Itália. Adoro massas. Pizza como quase sempre. As italianas são boas, mas não tem tantos sabores como no Brasil, então, numa escala de sabores de 0 a 10, eu daria nota 9. As brasileiras são imbatíveis: nota 10", completa o craque, de barriga cheia.
Time de Ouro
🏅 Ricardo Lucarelli faz parte do Time de Ouro, uma seleção de atletas que brilharam no Japão. Conheça estes homens e mulheres.
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