A Final Nacional do Red Bull Dance Your Style Portugal 2026 reúne alguns dos nomes mais fortes da dança urbana em Portugal, cada um com uma história, uma identidade e uma forma própria de sentir a música. Entre os concorrentes estão oito Wildcards, que chegam diretamente ao palco da final para competir e conquistar o público com cada movimento, sem coreografias pré-definidas.
Do Locking ao Popping, do Dancehall ao Kuduro, passando pelo Hip-Hop, Waacking, Afro House e Krump, os Wildcards deste ano representam diferentes linguagens da dança. Uns descobriram-na ainda em criança, outros encontraram nela uma forma de expressão mais tarde. Há quem venha das rodas de bairro, quem tenha crescido em escolas de dança e quem tenha construído o seu percurso entre Portugal e outros países. O que os une é a vontade de transformar a música em movimento e fazer do palco um espaço para mostrar quem são.
Antes de os vermos frente a frente, conhecemos as histórias, os estilos e as ambições de quem vai entrar na Final Nacional do Red Bull Dance Your Style pronto para conquistar o público.
01
Lili
A dança entrou na vida de Lili através da irmã, numa altura em que tinha acabado de sair da ginástica acrobática e ainda procurava o seu caminho. Foi nesse verão, sem grandes planos, que a irmã a foi puxando para o mundo da dança. "Se não fosse a minha irmã eu não estaria onde estou com a dança", explica. De Albufeira, entre o Hip-Hop e o Dancehall, construiu um estilo que descreve como "diversificado, próprio e real", movida sobretudo pela vontade de se expressar livremente e de se divertir enquanto dança. Ao longo do percurso destaca as "duplas improváveis" com Vanessa Marina, a oportunidade de representar Portugal na Final do Red Bull Dance Your Style e a participação em concertos como alguns dos momentos mais marcantes da carreira.
Vencedora do Red Bull Dance Your Style 2025, Lili recebe agora o convite para ser Wildcard em 2026 como uma honra inesperada. "Não estava à espera de ser convidada para tal mas fiquei feliz", confessa a vencedora em título. Para a Final Nacional, espera sobretudo energia e diversão por parte de todos os bailarinos. Aprendeu, ao longo do caminho, que quando dança "a única coisa que importa é divertir-me e agradar a mim própria", e é essa mesma honestidade que quer que o público sinta sempre que a vê em palco. Sonha dançar nos maiores estádios do mundo e continuar sempre a evoluir e imagina-se, daqui a cinco anos, a viajar "de battle em battle".
02
Afonso Pinto
Foi quase por acaso que Afonso Pinto descobriu a dança. Uma amiga dos pais insistiu para que experimentasse uma aula na MXM e, durante um treino dos Momentum, foi o b-boy Hércules quem lhe ensinou alguns passos de top rock e despertou o seu interesse pelo movimento. Mais tarde, encontrou nas aulas de Max Oliveira a inspiração para continuar a evoluir, mesmo quando o percurso se tornou mais exigente. Vindo de Vila Nova de Gaia, construiu a sua identidade no Locking, juntando à energia e espontaneidade do estilo as experiências, referências e aprendizagens que fazem parte da sua vida.
Um dos momentos que mais marcou foi "ter perdido a final do King of the Ring contra o Ivo Paiva em 2024". Mais do que o resultado, foram as palavras que ouviu nesse dia: "Não por ter perdido, mas pelo que o Ivo, e outras pessoas, me disseram naquele dia". Palavras que o fizeram repensar a forma como encarava o seu caminho. Agora, o Wildcard para o Red Bull Dance Your Style Portugal 2026 surge como uma oportunidade para se representar a si próprio e a todos os que sempre estiveram ao seu lado. Para a Final Nacional, espera "que seja mais um belo espetáculo para todos a participar e a assistir", tanto para quem dança como para quem assiste. No futuro, quer continuar a representar Portugal através daquilo que o faz sentir orgulho no país e seguir o mesmo caminho, mas numa versão melhor de si próprio.
03
Bolinha
Foi nas rodas do bairro, entre amigos e com vontade de se divertir, que Bolinha encontrou a dança. "Dancei nos bairros e so queria entrar numa roda e dançar", conta o wildcard. O Kuduro foi o primeiro estilo que praticou e aquele que despertou uma paixão que ainda hoje define grande parte do seu percurso. Mais tarde, entrou numa escola para compreender melhor aquilo que fazia de forma intuitiva e transformar essa energia num caminho profissional. Hoje, entre Kuduro e Afro House, construiu uma linguagem enérgica, imprevisível e pensada para o público, marcada pela musicalidade, pelas referências do Kuduro underground e pelas “paranóias” que encontra em cada movimento.
Os anos de trabalho já o levaram a grandes palcos, videoclipes, projetos com artistas e programas como o Got Talent. Entre as suas maiores conquistas estão as três vitórias consecutivas no World of Dance Portugal, onde representou o Kuduro. "Ganhar 3 vezes seguidas e ser o favorito do público para mim é algo bastante importante", explica.
O ensino tornou-se outra das suas paixões, encontrando satisfação em ajudar os alunos a evoluir e a ganhar confiança através da dança. Ser o Wildcard para 2026 representa o culminar de "muito tempo de trabalho e dedicação, muito esforço, muito tempo de empenho" e, segundo o próprio, faz com que valha "mesmo a pena" os momentos em que "trabalhamos com dedicação". Perante o desafio da Final Nacional, Bolinha espera uma competição exigente, mas sobretudo divertida, com boa energia e vontade de celebrar. Mais à frente, sonha abrir a sua própria escola e levar a força do Kuduro a novos públicos.
04
Cristina Silva
Ao longo do percurso, Cristina foi acumulando momentos que continua a guardar com carinho. Destaca a participação no Festival da Canção em 2024 ao lado de João Couto, "uma experiência única", e também os Dragões de Ouro, já no final de 2025. É atualmente bailarina de Ana Malhoa, missão que lhe dá "uma adrenalina incrível" por poder estar em palco, o que aponta como o que mais gosta de fazer enquanto artista. Já participou em vários videoclipes e viajou por Portugal e pelo mundo através da dança, algo que diz ser "indescritível". Entre essas viagens, destaca a ida à Jamaica em 2024, que assume ter sido, até hoje, a experiência que mais a fez "voltar a mim mesma enquanto pessoa que se apaixonou pela dança".
Para além de dançar, Cristina também idealiza projetos próprios. Criou, junto com o DJ Welk, o Skankaz, onde já organizou workshops de Dancehall que juntam nomes vindos da Jamaica a bailarinos nacionais e internacionais por acreditar que "o conhecimento une pessoas e enriquece uma cultura de que nós gostamos".
Mais recentemente, deu também vida à Call Out Party, um evento pensado para bailarinos viverem a dança de forma livre, fora do ambiente de batalha, criado com Francisca Lima e outros nomes que considera essenciais para o projeto. Natural de Gondomar e sem qualquer ligação prévia ao mundo da dança dentro da família, Cristina construiu o seu caminho a partir do zero, e é essa mesma origem que a leva a querer inspirar quem a rodeia: "se tu conseguires lutar, se tu fores à procura, tu chegas lá, tu consegues concretizar".
05
Fabiana Injai
Fabiana Injai cresceu num bairro social em Lisboa, rodeada de culturas guineense, cabo-verdiana, angolana e cigana, que desde cedo moldaram a sua relação com a música e o movimento. A paixão pela dança foi crescendo de forma natural, entre as raízes africanas, os musicais da Disney Channel e os vídeos que descobria no YouTube, até se aproximar do Hip-Hop e, mais tarde, do Vogue. O primeiro palco profissional foi o MEO Sudoeste, ao lado de Blaya, um momento que considera um marco no arranque da carreira. Seguiu-se a formação intensiva da Reboot, onde aprofundou os street styles e teve contacto direto com professores e colegas que já admirava, e mais tarde a entrada na equipa de competição Last of Us, onde passou a competir lado a lado com bailarinos que sempre viu como referências.
Hoje, Fabiana descreve o seu estilo como algo que "explode liberdade", uma energia presente nos estilos que mais dança, do Vogue ao Hip-Hop, ambos nascidos da necessidade de expressão livre. É essa mesma liberdade que quer que o público sinta sempre que a vê em palco. Ser Wildcard do Red Bull Dance Your Style Portugal 2026 significa, para Fabiana, um reconhecimento direto do seu percurso, por "sentir que gostaram da minha forma de dançar e daquilo que eu faço como bailarina". A maior dificuldade que sente é a pressão constante de ter de provar o seu valor, um trabalho que descreve como sobretudo mental e pessoal. Olhando para o futuro, sonha explorar mais o canto e o teatro e, dentro de cinco anos, considerar-se plenamente uma artista, sem nunca deixar de valorizar aquilo que já alcançou: viver, todos os dias, do sonho de infância de trabalhar com dança.
06
Gui
Duas participações no Red Bull Dance Your Style através dos qualifiers, duas meias-finais alcançadas e, agora, uma entrada direta na Final Nacional. Para Gui, receber Wildcard para a edição de 2026 é, acima de tudo, um "finalmente". "Já achava também que havia argumentos para ser merecido", diz Gui, num reconhecimento de um percurso construído através da competição, da formação e de uma procura constante por evolução.
A dança entrou na sua vida através do irmão, depois de ambos acompanharem o programa America's Best Dance Crew, e cedo se tornou muito mais do que um passatempo: o "gosto mesmo" foi dando lugar a "como é que eu me consigo profissionalizar?", conta-nos. Foi sobretudo o Bootcamp, hoje Reboot, da Jukebox Crew, que mudou essa perspetiva, sendo a partir desse momento que começou "a levar um bocadinho mais a sério" a dança. Hoje, mais de dez anos depois, ainda faz parte do projeto, agora também como professor.
Natural de Santo António dos Cavaleiros, em Loures, encontrou no Popping a sua principal linguagem, mas não se limita às fronteiras do estilo, deixando-se guiar sempre pela música e pela vontade de arriscar. Entre os momentos mais marcantes da carreira estão a primeira vitória no Hip Hop International Portugal, e a final mundial da mesma competição em 2023, nos Estados Unidos, onde diz ter sentido pela primeira vez que tem "nível para competir com pessoas fora de Portugal". A maior dificuldade tem sido lidar com a instabilidade da carreira a nível nacional, um desafio que aprendeu a gerir ao dividir a atenção entre a dança e outras áreas, o que, longe de o afastar, lhe devolveu leveza e criatividade.
Perante uma Final Nacional de nível elevado, quer superar as prestações das edições anteriores e, acima de tudo, só quer "votos se forem merecidos". A longo prazo, quer continuar a viver da dança, competir mais no estrangeiro e conquistar resultados internacionais, tendo o Summer Dance Forever entre os grandes objetivos.
07
Juno
Aos nove anos, Juno entrou numa competição de danças latinas na escola primária e conquistou o terceiro lugar com o merengue, o primeiro passo de uma ligação à dança que nunca mais parou de crescer.
Natural do Porto, encontrou no movimento um lugar que a faz sentir segura e onde se pode exprimir "da melhor maneira", uma paixão que continua a ser a razão pela qual continua a dançar. A vontade de aprender e viajar levou-a a mudar-se para Paris, uma decisão que considera um dos momentos mais importantes da carreira: "quando estamos com os melhores do mundo sentimo-nos mais motivados para evoluir".
Outro marco foi a seleção para o Summer Dance Forever, uma das competições de street dance mais importantes a nível mundial. Pelo caminho, a vida nómada entre tours e battles trouxe também sacrifícios pessoais, longe de momentos importantes da família e dos amigos, mas Juno aprendeu a ser "mais resiliente" do que pensava e a manter-se sempre humilde, sem nunca esquecer de onde veio.
Entre o Locking e o Waacking, Juno construiu um estilo marcado pela presença, criatividade e originalidade, procurando que cada momento em palco seja único. Acredita que "se um bailarino não te faz sentir alguma coisa é porque ele não está a ser honesto com a dança dele". E é essa emoção genuína que quer transmitir sempre que dança. Ser Wildcard do Red Bull Dance Your Style Portugal 2026 representa, para Juno, sobretudo o reconhecimento do seu trabalho, sendo esta a primeira vez que participa no evento. Para a Final Nacional espera um nível elevado e mostra-se especialmente entusiasmada por partilhar o palco com bailarinos de outros estilos, algo que encara como sendo "sempre mais desafiador". No futuro, quer continuar a ensinar, inspirar novas gerações e concretizar o sonho de criar a sua própria escola e companhia de dança.
08
Ujima
Aos oito anos, Ujima começou a dançar, influenciado pela ligação do pai à dança e pelas pessoas que faziam parte do seu círculo. Natural de Angola e atualmente a viver em Felgueiras, no Porto, encontrou no movimento uma parte essencial da sua identidade. O que começou como uma atividade foi ganhando outro significado até se transformar num propósito, numa fuga e num modo de vida, ao ponto de hoje nem precisar de uma battle ou de um espetáculo para treinar.
No Krump encontrou uma forma de transformar emoções em movimento, um estilo que descreve como "a liberdade emocional", permitindo-lhe criar uma ligação entre o corpo, a música e o público. É também essa energia que aponta como aquilo que o distingue dos restantes bailarinos: "a minha forma de dançar espelha uma coisa completamente diferente do normal", sublinha. Depois de desenvolver o seu percurso em Angola, onde chegou a criar a sua própria academia, mudar-se para Portugal obrigou-o a recomeçar, treinando sozinho em casa até conhecer uma nova comunidade e adaptar-se a uma realidade cultural diferente, com projetos como o Espetáculo da Vida, em Angola, e a Krump Session, em Portugal, a marcarem o seu crescimento artístico.
Agora, o Wildcard abre-lhe a porta para levar o Krump a um palco onde todas as formas de dança têm espaço, considerando que "mesmo sendo um estilo low profile, acaba por se encaixar num evento como o da Red Bull". Os objetivos são claros: vencer a Final Mundial do Red Bull Dance Your Style e conquistar também a EBS, a maior competição de Krump do mundo. Daqui a cinco anos, quer estar a "passar conhecimento e formações para krumpers de novas gerações", levando o que aprendeu a mais lugares e mais pessoas pelo mundo fora.
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